uma abordagem cronológica sobre o universo azul

Durante muitos anos, o autismo era tratado como uma doença misteriosa, sem cura e desconhecida. Não se sabiam as causas nem tão pouco tratamentos específicos, já que o transtorno não recebia diagnóstico imediato. Até hoje não se sabe ao certo o motivo de alguns nascerem com essas características, porém, grandes avanços no campo científico foram registrados.

Acredita-se que o transtorno seja de origem genética, com anormalidades em alguma parte do cérebro, mas sem conclusões definidas. Em relação à cura, não há, por enquanto, nada comprovado, mas já se observam pesquisas contundentes que mostram vantagens na intervenção precoce em crianças de até 5 anos.

Os primeiros estudos surgiram com o psiquiatra suíço Eugen Bleuler (1908) que usou o termo “Autismo” pela primeira vez e o relacionou à esquizofrenia. Em 1911, o termo foi apresentado à literatura psiquiátrica por Bleuler como uma síndrome que afeta invasivamente a relação social do indivíduo, explicando, então, o uso da etimologia “auto”, do grego, “si mesmo”.

Léo Kanner (1943), psiquiatra austríaco, publicou a obra “Distúrbios Autísticos do Contato

Afetivo” a partir do acompanhamento a crianças com variados sintomas. A obra é resultado da pesquisa desenvolvida no hospital dos Estados unidos Johns Hopkins Hospital, onde era diretor de psiquiatria infantil. Kanner observou onze crianças, as quais oito eram do sexo masculino e outras três do sexo feminino.

A partir das pesquisas realizadas por Kanner, o autismo em crianças foi considerado como uma espécie de psicose infantil. As estereotipias e isolamento social antes dos 5 anos de idade eram notados mais facilmente após os a descoberta do psiquiatra.

Em 1945, concomitante à pesquisa de Kanner, mas sem parcerias registradas, outro psiquiatra austríaco, Hans Asperger, apresentou, à comunidade científica, crianças com semelhantes sintomas das apresentadas por Kanner. Em contrapartida, observou certas variações com dedicação extrema a certos interesses. Ficção a determinadas coisas, esquecendo às demais ao seu redor.

Asperger, dessa forma, produziu um artigo intitulado “A psicopatia autista na infância”, publicado em 1946 e, anos depois, uma variação do autismo foi denominada “Síndrome de Asperger” em homenagem ao seu nome. Nessa síndrome, o autista desenvolve uma certa genialidade em alguma área.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Síndrome de Asperger é um Transtorno do

Espectro Autista (TEA) ou Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) que possui uma condição neurológica caracterizada pela dificuldade na interação social e na comunicação, com interesses restritos e comportamentos repetitivos, mas com menor gravidade do autismo por apresentar inteligência e linguagem relativamente normais.

Asperger ampliou as descrições das características já apresentadas e incluiu às pesquisas

alterações de comprometimento orgânico. Em seus achados na investigação sobre a doença, ele observou que as crianças com comportamento autístico apresentavam maneirismo motores estereotipados, resistência às mudanças ou insistência na monotonia, além das dificuldades na comunicação.

Para muitos professores e profissionais de Educação Especial, fonoaudiólogos, terapeutas,

psicólogos, pediatras e até mesmo os psiquiatras, há uma grande dificuldade na percepção imediata. Neste caso, deve observar com atenção toda comunicação tardia, isolamento, desvio do contato afetivo, olhar periférico, estereotipias, interesse a certos objetos que não tem valor aparente, olhar ao longe – como uma espécie de congelamento -, ficção por rodas de carros de brinquedos, modo inusitado do brincar e não atender quando se chama pelo nome, podem ser sinais para levantar suspeitas. Vale lembrar, que a presença de uma ou de alguns desses sintomas não pode ser de imediato considerado TEA. Deve ser observado o conjunto dessas características com uma avaliação cautelosa de profissionais especializados.

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Há variantes para cada caso, pois cada indivíduo apresenta diferentes comportamentos, por isso há um delongamento em fechar o diagnóstico, pois precisa ter cuidado para não mascarar uma outra síndrome que não seja autismo; ou até enquadrar o indivíduo dentro do espectro sem confirmação, pois pode se tratar apenas de um Déficit de aprendizagem (DA) e não TEA.

O diagnóstico final se configura, para muitas famílias, um embate na realidade, às vezes seguido da não aceitação, sobretudo em casos de filhos únicos. Devido a isso, pode acontecer um luto simbólico, representando a morte do filho idealizado, a fim de compreender a importância da aceitação da criança autista.

A condição do autístico é uma condição alheia às demais síndromes por ainda ser um universo desconhecido e sem causa aparente. Observa-se também a incidência maior em meninos que em meninas, por isso relaciona-se a cor azul para o autismo, mas não é uma regra, e cada caso deve ser acompanhado de forma particular, considerando as diferenças de cada indivíduo.

Sabendo da proximidade do dia mundial de sensibilização para o Autismo, dia 2 de abril, o

Instituto de Pós-Graduação Pró Saber, abraça essa causa e oferece cursos de especialização em Educação Especial e Inclusiva e curso em Educação Especial com Ênfase no Atendimento Especializado para pais, familiares e profissionais que queiram saber mais, através da pesquisa e de materiais esclarecedores, sobre o Transtorno do Espectro do Autismo.

A criança autista, assim como qualquer outra, deve ser tratada com muito amor, compreensão, paciência, atenção e carinho. Mergulhar nesse universo “azul” é se deparar, muitas vezes, com pais que se tornam pesquisadores para entender a patologia do filho, mas também é receber uma transformação interior inigualável a qualquer outra experiência.

https://ucamprosaber.com.br/

Rubia Gertrudes de Melo

REFERÊNCIAS

BOSA, Cleonice Alves. Autismo: atuais interpretações para antigas observações. In: BAPTISTA,

Claudio; BOSA, Cleonice. Autismo e educação: atuais desafios. Porto Alegre: Artmed, 2002. p.

22-39.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Autismo.

KANNER, L. Autistic disturbance of affective contact. Nervous Child, 2, 1943, 217-250.

Website: https://ucamprosaber.com.br/

DINO
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Fonte: PORTAL TERRA – NOTÍCIAS

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