Queda do dólar rebaixa Buenos Aires em ranking de cidades mais caras

Capital argentina foi da 40ª para 76ª posição em lista das cidades com maior custo para turistas estrangeiros

 A desvalorização do peso argentino em relação ao dólar estadunidense fez com que Buenos Aires, na Argentina, caísse 36 posições no ranking das cidades mais caras para visitar por turistas estrangeiros publicado pela consultoria estadunidense Mercer. A capital argentina foi da 40ª colocação mundial para a 76ª.

“A mudança de posição de Buenos Aires se deve especialmente ao efeito duplo da desvalorização do peso frente ao dólar e ao euro”, disse a consultoria em nota.

Na América do Sul, as principais cidades do Brasil, da Argentina e do Peru tiveram quedas importantes dentro do ranking de Custo de Vida Internacional elaborado anualmente pela Mercer — todos os países tiveram desvalorizações de suas moedas frente ao dólar e ao euro. As quedas vão desde passagens aéreas e pacotes turísticos até custos menores para se hospedar.

São Paulo, no entanto, segue sendo a cidade mais cara para se viver no continente, na posição 58º — no ano passado, a capital paulista ocupava a 26ª colocação global. Santiago, no Chile, também permaneceu na segunda posição sul-americana, caindo duas posições e chegando ao 69º lugar mundial. Montevidéu, no Uruguai, ocupa a 75ª posição.

Na Argentina, em que as férias de inverno são o período mais importante para o turismo internacional, os números mostram que os fluxos internos tendem a aumentar em 2018: durante os seis feriados prolongados no país neste ano, um total de 8,5 milhões de turistas circularam pelo território argentino, realizando 29,2 milhões de pernoites e gastando um valor bruto de 23,2 milhões de pesos (R$ 3,1 milhões).

“Houve um movimento turístico moderado, tendo em conta que os principais distritos começaram o recesso invernal, que se espera com muita expectativa. Se estima que quase cinco milhões de turistas viajem pelo país”, afirmou o Ministério do Turismo da Argentina no começo de julho se referindo ao feriado da Independência, comemorado no dia nove.

De acordo com as expectativas, os polos turísticos que receberão a maior quantidade de viajantes são Buenos Aires, Córdoba, Mendoza, Salta, Puerto Iguazú (ou Foz do Iguaçú, para os brasileiros), Entre Ríos e Bariloche. Para Mariano Basile, consultor turístico de uma das maiores agências de viagens da Argentina, o país vive um momento de mudança no perfil do turismo.

“Desde que o valor do dólar começou a subir identificamos uma mudança na tendência de buscas dos usuários, já que, nos meses prévios à corrida cambial o mix de destinos mais buscados continha uma maior quantidade de cidades no exterior. No último mês, os destinos nacionais mais buscados foram Buenos Aires, Córdoba, Iguazú, Bariloche e Jujuy”, explicou ao Clarín.

Apesar da estimativa que os preços que serão pagos em viagens na Argentina por turistas internos sejam 20% superiores em comparação com 2017, o ministro do Turismo argentino, Gustavo Santos, firmou recentemente um acordo com federações hoteleiras e gastronômicas do país para manter os valores estabilizados durante o inverno. “Temos que aproveitar essa situação para fomentar o crescimento do turismo interno”, explicou.

Um exemplo da transformação no perfil turístico argentino por causa da desvalorização do peso está nas viagens a Santiago do Chile, chamado no país de “turismo shopping”. Por anos, muitas pessoas cruzavam a fronteira entre os dois países para comprar roupas, celular e eletrodomésticos na capital chilena, porque a diferença cambial beneficiava os argentinos.

Santiago era o destino preferido dos viajantes que procuraram voos baratos no Google, segundo um levantamento feito pela consultoria Focus em 2017. A capital chilena superava até mesmo Buenos Aires, além do Rio de Janeiro, Bariloche e Barcelona, na Espanha. Nessas férias de inverno, no entanto, Santiago caiu para a sétima posição entre os destinos mais buscados. Iguazú, na tríplice fronteira, ficou na primeira posição.

“Santiago, hoje, não está no top ten de destinos escolhidos. Antes estava entre as top five“, disse Pablo Aperio, gerente de uma agência de viagens argentina, ao portal TN. “O aumento do dólar fez com que a vantagem de preços agora não seja tão significativa para ir e voltar”, completou.

Entre janeiro e maio deste ano, 1,5 milhão de argentinos cruzaram a fronteira com o Chile por terra ou por ar, segundo dados das autoridades chilenas. A quantidade de viajantes foi 19,2% inferior ao que se registrou nos primeiros cinco meses de 2017 — foi a primeira queda anual desde 2013.

Outro indicador é o valor gasto com cartões de crédito estrangeiros no Chile, elaborado mensalmente pela Subsecretaria de Turismo do Chile. Segundo os últimos relatórios, entre janeiro e maio foram gastos 441,5 milhões de dólares em pesos argentinos no Chile usando o benefício — um valor 35,8% menor do que o usado pelos cidadãos do país vizinho em território chileno em 2017 (US$ 688,6 milhões).

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