Quais são as estradas mais perigosas para viagens de moto do mundo

Do Chile ao Paquistão, algumas rotas são tão difíceis quanto obrigatórias para qualquer motociclista aventureiro do mundo

 

Há mais de 60 anos, o então médico Ernesto Guevara e seu amigo de universidade, Alberto Granado, resolveram partir de Buenos Aires, na Argentina, para uma viagem de motocicleta pela América do Sul sem data de retorno.

A jornada, contada no filme Diários de Motocicleta, dirigido pelo brasileiro Walter Salles e estrelado pelo premiado ator mexicano Gael García Bernal, também inspira até hoje gerações de motociclistas pelo mundo em busca de estradas difíceis que signifiquem, ao mesmo tempo, uma vitória sobre a natureza.

Curiosamente, entre as rotas épicas dos motoqueiros de qualquer parte do planeta, a América do Sul é destino obrigatório. “Nos grupos nas redes sociais, todos os estrangeiros falam que precisam cruzar estradas do Chile ou da Bolívia antes de morrerem”, comenta o jornalista Guilherme Claro, que faz parte do circuito de viajantes de moto.

A seguir, contamos um pouco sobre as estradas consideradas mais perigosas do mundo.

California State Route 138 — Estados Unidos

Se os poucos motociclistas que ousaram cruzá-la inteira classificaram a State Route 138, na Califórnia, nos Estados Unidos, de “estrada da morte”, não é difícil imaginar os motivos. De acordo com uma reportagem feita pelo jornal Los Angeles Times em 2000, durante um período de cinco anos, a rodovia levou a vida de 56 pessoas e feriu outras 875.

Desde então, segundo as autoridades, estes números só aumentaram. Os problemas na State Route não são apenas por causa do trânsito de carros e caminhões, mas também por causa de suas subidas e curvas fechadas.

Camino a los Yungas — Bolívia

Construída na década de 1930 por paraguaios prisioneiros em território boliviano, a estrada de 64 quilômetros de uma ponta a outra aproveitou as curvas das montanhas entre as cidades de La Cumbre e Yungas, no departamento de La Paz, para moldar seu percurso.

Por ficar na lateral da montanha e ser uma descida de mão única sem proteção nas pontas e curvas, ela foi considerada a “pior estrada do mundo” pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, em 1995.

Mais de dez anos depois, o governo abriu outra estrada mais segura, mas muitos motociclistas ainda preferem descer o Camino a los Yungas em busca da aventura de ter que, inclusive, assinar um atestado de consciência do perigo da estrada antes de descê-la e pela obrigação de trafegar com o capacete aberto.

South Carolina I-26 — Estados Unidos

Na estrada da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, o problema é a queda constante de árvores. Como o estado convive com tempestades tropicais constantes, é comum que os motoristas mais desavisados se deparem com troncos enormes caídos na pista entre curvas fechadas e sem proteções nas pontas.

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Uma breve pesquisa no Google indica o volume de acidentes na estrada: um deles, ocorrido em maio deste ano, chamou a atenção pela forma como foi: um carro com uma mulher e seus dois filhos bateu em uma árvore e pegou fogo depois de atropelar um jacaré que invadiu o asfalto. Para motociclistas, a recomendação é que não acelerem muito e permaneçam sempre atrás dos veículos — nunca nos corredores.

Paso Los Caracoles — Chile

A rodovia que liga Mendoza, na Argentina, a Santiago, no Chile, passando por dentro dos Andes que divide os dois países é um paradoxo: ao mesmo tempo que muitos motociclistas e caminhoneiros consideram uma das mais perigosas do mundo, ela é famosa pela sua beleza.

O perigo, porém, é apenas em um trecho, e não na estrada toda. Com 360 km de extensão, a maior parte da pista é bem asfaltada e plana, apesar da pouca sinalização, mas logo após o Paso Los Libertadores, na fronteira limítrofe das duas nações, os motoristas chegam em Los Caracoles, um aclive de 670 metros com curvas em 90 graus amontoadas umas às outras. Em dias nevados, os motoristas chegam a colocar correntes nos pneus para descer com alguma segurança.

Highway 550 — Estados Unidos

A Highway 550, que liga as cidades de Ouray a Silverton, no estado de Colorado, nos EUA, tem 40 km de asfalto a três mil metros do nível do mar, por meio da montanha de San Juan, sem nenhum guardrail ou qualquer outra proteção para os veículos — ou seja: qualquer descontrole significa uma queda dessa altura.

Quando chove ou neva, a situação é ainda pior, porque a pista fica escorregadia e, com as curvas fechadas, é fácil cair no abismo. Há ainda registros de avalanches da montanha em direção à pista, o que a torna uma das rodovias mais perigosas dos EUA — e ao mesmo tempo uma das mais buscadas por quem gosta de se arriscar.

Estrada de Karakoram — Paquistão

Se as estradas descritas até aqui são perigosas, talvez ainda não exista uma palavra para descrever a estrada de Karakoram, no Paquistão. Ela começa na cidade de mesmo nome e termina no vilarejo de Tato, perto da montanha de Joot, a 3.300 metros do nível do mar — onde a pista de terra e cascalho ocupa a lateral de uma montanha e se estreita ao tamanho de um único carro sem nenhum tipo de proteção que evite a queda no abismo.

“Um erro básico e você cai”, sentencia o motociclista João Rosa, brasileiro que explora estradas desse nível de dificuldade pelo mundo. Segundo viajantes, o caminho nunca foi reparado desde a sua construção por moradores do vilarejo de Nanga Parbat, milhares de anos atrás, quando carros eram algo inimaginável. Mesmo hoje o trecho final só pode ser feito andando ou de bicicleta ou moto.

No entanto, caso se sobreviva às suas curvas, a recompensa é belíssima: a montanha Nanga Parbat, nona maior do mundo e segunda do Paquistão.

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