Petróleo dos EUA se espalha pelo mercado mundial – 31/03/2018 – Mercado

Graças ao aumento de sua produção petroleira, os Estados Unidos agora estão exportando petróleo ao mundo inteiro, o que impulsiona uma revisão da infraestrutura em seu território e permite que o país dê as cartas no mercado mundial.

Com extração superior a 10 milhões de barris diários, os Estados Unidos se converteram no segundo maior produtor mundial de petróleo cru, atrás da Rússia e à frente da Arábia Saudita –um apogeu relacionado a novas técnicas que permitem extrair a custo mais baixo o petróleo do xisto betuminoso.

Diante dessa explosão na produção, os Estados Unidos suspenderam no fim de 2015 uma proibição à exportação de petróleo cru que vigorava desde 1975. A oportunidade foi aproveitada de imediato: em 2017, empresas americanas exportaram em média 1,1 milhão de barris de petróleo ao dia para 37 países.

A China se converteu no segundo maior cliente dos Estados Unidos.

As importações americanas caíam bruscamente, enquanto isso, e nos 10 últimos anos se reduziram de dez milhões para oito milhões de barris ao dia.

Mas, mesmo que a produção americana continue em alta forte, o país não deixará de comprar petróleo estrangeiro, em curto prazo.

A grande maioria das refinarias americanas não foram projetadas para processar petróleo de xisto betuminoso. Foram construídas para refinar petróleo pesado, como por exemplo o extraído no Canadá, Venezuela ou México.

“Já que são precisos de cinco a sete anos para construir uma refinaria, não há como promover uma mudança da noite para o dia”, disse Harry Tchilinguirian, especialista em mercados petroleiros do banco BNP Paribas.

“Os Estados Unidos não têm como se tornarem completamente independentes do petróleo estrangeiro”, disse Tchilinguirian.

“A ideia de uma era dourada do setor de energia americano, defendida por Donald Trump, não é só a de reduzir a dependência, mas estimular o setor de energia a se projetar ao exterior.”

INVESTIMENTOS

Para isso, as empresas americanas estão construindo oleodutos e terminais a fim de enviar seu petróleo leve ao mundo.

Para John Coleman, da consultoria de energia Wood Mackenzie, a Europa é o destino mais lógico, pelo menos até 2022. “As refinarias europeias são mais compatíveis com o petróleo cru leve dos Estados Unidos, e os custos de transporte são menores”, ele explica.

Mesmo assim, a demanda também pode desaparecer nos próximos anos.

Se os Estados Unidos se organizarem para manter um preço suficientemente competitivo, que venha a compensar o tempo e o custo adicionais de transporte, poderia encaminhar suas exportações à Ásia.

Créditos:

Folha

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