Natal incentiva doações de alimentos e amor na cidade de São Paulo

São Paulo, 11h da manhã. Sob o sol da primavera, um grupo de 40 amigos sai pela Zona Norte de São Paulo distribuindo marmitas aos moradores de rua. No clima de Natal, eles compartilham amor e solidariedade com pessoas que enfrentam a solidão durante boa parte do ano.

Rita de Cássia Bulgaro começou a participar da ação há quatro anos, quando saiu para entregar marmitas pela primeira vez. “Nós escolhemos essa época do ano porque é Natal, pensando no pessoal que mora na rua e não tem família”, justificou. No início do projeto, sete anos atrás, uma pessoa começou com a entrega de 30 marmitas. O número de colaboradores e beneficiados pela ação cresce cada vez mais e ano passado ajudou 440 pessoas em situação de rua.

Para 2018, a expectativa é distribuir 500 marmitas. Para isso, foram arrecadados 30 quilos de arroz, 20 quilos de feijão, 50 quilos de linguiça, 20 quilos de farofa e temperos. Além disso, as marmitas acompanham um kit com refrigerante, um doce e talheres plásticos. “Após o preparo, nós distribuímos. Cada um vai para um local diferente, onde tem maior concentração de moradores de rua”, explica Rita.

A sensação gratificante que sente ao entregar as marmitas é o que motiva Rita a continuar no projeto e incentivar seu crescimento ao longo dos anos. “Tem os que agradecem muito, os que choram, outros até falam trechos da Bíblia e a gente fica bem emocionado. É uma sensação de dever cumprido, de você estar fazendo uma boa ação para eles terem um Natal melhor. A gente sai aliviado”, completa.

Combate à fome

Criado em 1994, o Natal Sem Fome é um projeto nacional que busca alimentar famílias nessa época do ano e alertar os governantes e a sociedade para a questão da fome. Em 2017, foram 400 mil pessoas beneficiadas em 20 Estados do País, totalizando 900 toneladas de alimentos doados. “Para 2018, como completamos 25 anos, queremos fazer a maior arrecadação da nossa história e chegar às duas mil toneladas e atender um milhão de pessoas”, diz Rodrigo Afonso, diretor executivo da Ação da Cidadania, que organiza a campanha.

De 1994 a 2007, a campanha entregou alimentos para 15 milhões de pessoas e o objetivo é continuar crescendo. Para isso, Rodrigo reforça a importância da participação de não somente pessoas físicas, mas também de empresas engajadas com causas sociais. “Boa parte das empresas que trabalham conosco hoje em dia, tem uma imensa vontade de ajudar, independente de qualquer benefício fiscal”, relata. O diretor destaca ações realizadas em parceria com empresas de renome, como iFood, Universidade Estácio de Sá e Correios.

“Só de 2016 para 2017, houve um aumento de 2 milhões de pessoas vivendo na condição de pobreza extrema. É um aumento muito grande e a gente considera isso gravíssimo, pois estamos muito no limiar do Mapa da Fome da ONU”, alerta. De acordo com a pesquisa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso significa que um quarto da população está abaixo da linha da pobreza, totalizando 57 milhões de brasileiros. Os dados alarmantes reforçam a importância de projetos que buscam diminuir esses números e combater a fome no País.

‘Toda criança merece atenção, amor e carinho’

Apesar da época incentivar as doações, esse tipo de ação já se tornou comum na vida de Ana Cláudia Lovato Oyama. A paulistana realiza trabalhos sociais ao longo do ano em um abrigo de crianças carentes na zona norte e em um asilo público de idosos na zona sul da capital.

Na última semana, ela foi ao cinema assistir ao filme De Repente uma Família e se emocionou ao ver nas telas algo muito semelhante ao que presencia nos abrigos. “O filme é baseado numa história real sobre adoção de três irmãos, mostrando uma realidade dura e real. É o que vejo no abrigo toda semana: crianças com esperança de serem adotadas, outras com esperança de voltarem às suas famílias, essas que geralmente estão envolvidas com criminalidade, drogas, violência e abandono”, expressa. No mesmo dia, concedeu esta entrevista ao E+ e, ainda emocionada, revela que dar atenção e receber carinho em troca é uma das coisas mais lindas em seu trabalho social. “Sou recebida com um sorriso e um abraço bem amoroso das crianças, porque eles aguardam ansiosamente por esses momentos. Dou muita atenção, amor e carinho, coisas que toda criança merece. Eles não deveriam sofrer pelos erros dos pais, adultos em geral, mas infelizmente acabam pagando um preço muito alto por isso. Então, o pouco tempo que consigo doar para eles, na realidade representa muito para as crianças abrigadas e desprovidas de uma família”, compartilha.

Em um País com tamanha desigualdade social, pessoas carentes têm necessidades constantes, muito além do período de Natal. “Essa necessidade de ajuda ao próximo poderia se estender ao longo de todo o ano, mas de qualquer forma, toda e qualquer ajuda será sempre bem-vinda, independente da época”, Ana Cláudia reflete. Ela reforça que as doações não precisam ser necessariamente materiais. No âmbito sentimental, a doação de amor, carinho e atenção é fundamental para pessoas que passam boa parte do ano sozinhas, por isso ela se dedica a mobilizar amigos e parentes para o trabalho social. No fim do dia, ela se sente “completa como pessoa” e feliz por ter feito a diferença na vida de alguém. O mais emocionante disso tudo? “Quando vou embora e escuto: ‘Tia, quando você vai voltar?’. Esse é e sempre será o momento mais especial e que irá me tocar para sempre”, conclui.

Fonte: PORTAL TERRA – VIDA E ESTILO

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