MotoGP – Resultado Final – GP da Argentina – Termas de Rio Hondo – 2018

Créditos: Twitter MotoGP
Colaboração de Gilson Costa @gilsonrc

Corrida em 3 Atos

E não é que no último domingo 8 de abril de 2018, quando diversas categorias de velocidade se concentraram num mesmo fim de semana, presenciamos na MotoGP outra corrida daquelas que não serão esquecidas por muito tempo?

Primeiro pela vitória emocionante e merecida de Cal Crutchlow, após briga intensa com Zarco, Rins e Miller, o pole do Q2.

Depois, como não podia ser diferente, Marc Márquez foi personagem do dia com seu temperamento dividido entre ser um gênio nas pistas confrontando com seu talento para disparar conflitos com outros pilotos.

Ficou ao final da prova um momento para reflexão se vale tudo numa corrida onde os pilotos a mais de 300 km/h parecem oscilar na fronteira “bom senso versus juízo nem um”.

1º Ato – Da largada até a punição

Essa ópera começa ao som de uma única motocicleta na primeira posição do grid acompanhada das 21 outras, 12 posições para trás por causa da punição coletiva por troca de pneus antes da largada.

O espanhol #93 começa então a sucessão de eventos que culminou num fim de semana que ele certamente quer esquecer. Quando a bandeira vermelha está sinalizando que a corrida irá começar, a moto de Márquez apaga.

Aproveitando que existia um espaço de 3 filas a sua frente, desce de sua moto e a empurra para pegar no tranco.

Um fiscal se aproxima e sinaliza para Marc sair da frente das demais motos. Imaginamos que ele iria para o fim do grid, porém voltou para sua posição de largada enquanto demais pilotos o olhavam espantados.

Luz verde, Miller mantém a ponta seguido de Pedrosa, Zarco, Rabat, Rins e Márquez. Ainda na primeira volta Márquez ultrapassa os três pilotos a sua frente e ao chegar em seu companheiro Pedrosa se enroscam e Dani é ejetado de sua Honda. Fim de prova para o samurai de borracha.

Notícia do Twitter MotoGP informa que Dani Pedrosa precisará de uma cirurgia no rádio para arrumar o estrago do incidente com Márquez.

Mais algum tempo e Márquez passa também Miller assumindo a ponta. Parecia que hoje era outro dia para uma vitória muito fácil. Não demorou para que os comissários depois de avaliarem os procedimentos de largada punissem o piloto espanhol e o chamassem para uma “passadinha” pelo pit lane. Resultado, Márquez volta para pista na 20 posição.

2º Ato – A recuperação

E agora? O negócio é acelerar, mas como fazer para ultrapassar os demais pilotos em curto espaço de tempo, para ter chances de disputar pelo menos o pódio?

Aqui cabe um comentário: ao final dos três treinos livres, do FP1 ao FP3, Márquez comentou numa entrevista que o asfalto novo do circuito deixava a pista muito escorregadia e que ele gosta muito dessa escorregada que a moto dá. Marc é sabido um piloto que gosta de treinar com motos de cross, logo, escorregar nas pistas é com ele mesmo. Nas mesmas entrevistas pilotos como Crutchlow, Viñales e Rossi se manifestavam preocupados com esse pouco grip.

Contextualizada essa questão, voltemos a observar algumas ultrapassagens de Marquez sobre Nakagami, Pol Espargaró e Dovizioso. Em todas aconteceu a escorregada e o encontrão com o piloto que disputava com ele a posição, mas , além do susto de cada piloto, nada de grave.

Acredito que Marquez tenha ganhado confiança com sua manobra e seguia sua vida. Lá na frente, na maior parte da corrida vimos uma disputa alucinante entre Miller, Rins, Zarco e Crutchlow. Os quatro cavaleiros brigaram pela ponta como se estivessem na Moto3. Que linda batalha.

3º Ato – A encrenca anunciada

Márquez passou todo um pelotão de pilotos com facilidade, e aí tinha pela frente Rossi. Todos observávamos o eminente embate entre os dois com a expectativa de que com toda a sua superioridade conseguiria passar pelo “dottore” sem problemas.

Só que os dois tem um assunto inacabado de 2016 que deve estar engasgado e decidiram fazer uma DR na pista. Na minha visão, assistindo toda a mecânica do acidente pelas diversas câmeras que a tv mostrou, vi assim o entrevero:

Valentino percebeu que Márquez se aproximava com muita ação e abriu metros antes da entrada da curva para fazer melhor a tangência e retomar a aceleração de forma mais agressiva para defender a posição. Márquez vinha chutado e percebendo a mudança de trajetória, acelerou esperando escorregar e dividir com Valentino a saída da curva mas,…

… deu ruim. A câmera instalada na lateral traseira da M1 mostra que a Moto de Márquez surge com velocidade muito alta e muita força do peso deslocadona frenagem. Para piorar pega na perna de Rossi, se não me engano, a mesma de sua última lesão.

Créditos: Twitter MotoGP

Marc levanta a moto e como  estava grudado em Rossi, as duas motos espalham para grama, quem leva a pior é Valentino que cai, lentamente e levanta furioso e gesticulando com o #93.

Créditos: Twitter MotoGP

Marc segue na pista, alcança e ultrapassa Viñales e chega em 5º. Os comissários o punem com 30 segundos no fim das contas. Rossi passa em 19º e Márquez com a nova punição em 18º.

Foi e é o atual assunto na MotoGP. As imagens mostraram que ao final da prova Márquez foi na garagem de Rossi se desculpar, mas foi literalmente mandado embora pelo melhor amigo e guru de Rossi, Uccio Salucci.

Essa história ainda vai piorar na minha modesta opinião.

Resultado Final

Deixando o drama acima de lado, voltemos aos quatro pilotos que nos mostraram como um dia de pista molhada pode levar a melhor disputa pela ponta que eu assisti nos últimos tempos. Uma moto com motor de cada fábrica, um piloto mais agressivo e obstinado que outro, vários erros, várias trocas de posições e disputas até o fim da corrida.

Foi assim que Crutchlow, Zarco, Rins e Miller nos mostraram que muitas vezes os deuses da velocidade acham monótono um ou dois pilotos se sobressaírem sobre os demais e resolver misturar tudo só para ver o que acontece.

Não vou enaltecer nenhum dos quatro, para este “TORCEDOR” das boas corridas, daria o primeiro lugar no pódio para os 4.

O resultado de tudo isso foi:

Classificação Final

Que venha a próxima corrida em Austin/Texas!!

Gilson Roberto Costa

“Professor, Analista de Sistemas, apaixonado pela esposa e filhos e um grande torcedor dos esportes de velocidade. Uma pessoa de bem com a vida que gosta muito de conversar e entender a natureza humana” – Gilson é um parceiro/colunista voluntário do Tomada de Tempo e escreve sobre as mais diversas categorias de esporte a motor no Brasil e no Mundo!

Créditos: Tomada de Tempo

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