Franchising: um setor que se fortalece

As franquias não se cansam de se reinventar. No primeiro trimestre de 2018, na comparação com o mesmo período do ano passado, por exemplo, aumentou o uso de pontos de venda não tradicionais – ou seja, que não ficam estabelecidos em lojas de rua e de shoppings e atuam mais perto dos clientes, como em condomínios residenciais e comerciais, universidades e clubes. Também cresceu a diversidade de modelos de operação; ganharam espaço as ações de delivery, home based e venda direta. E os canais de comercialização utilizados também se diversificaram, com o aumento de estratégias, como as televendas.

“O setor é resiliente e dinâmico. Conseguiu se adaptar às demandas do cenário econômico, marcado pela internacionalização e pelo uso intensivo de tecnologias”, afirma Altino Cristofoletti Junior, presidente da Associação Brasileira de Franchising. “O franchising não representa apenas um canal de vendas. É uma plataforma completa de gestão de negócios de forma colaborativa, que pode ser desenvolvida por meio de diferentes canais”.

De fato, o setor parece muito bem adaptado aos novos tempos. “Vinte anos atrás, o franqueado era visto quase como um funcionário. Tudo era muito rígido, muito formatado e repetitivo. Isso mudou. Hoje, os franqueados participam de uma rede cooperativa compartilhada”, afirma Paulo Ancona Lopez, sócio-diretor da Ancona Consultoria Inteligência Estratégica. “O franqueado participa diretamente da gestão, que agora precisa ser muito mais ágil”.

Essa nova realidade atrai mais variedade no perfil de empresários. Não por acaso, a 27ª edição da ABF Franchising Expo 2018, a ser realizada no fim de junho, em São Paulo, deverá receber 124 marcas estreantes, ou 31% dos 400 expositores. É um índice maior do que os 20% de marcas inéditas que se apresentaram em 2017. E resultado da variação de canais e na diversificação de modelos de atuação. “Mais de 45% dos municípios do país têm alguma franquia. Esse movimento de interiorização é novo e acelerado”, diz Altino Cristofoletti Junior.

A expansão no setor de franquias possibilitou que qualquer modelo de negócios seja franquiável

A expansão no setor de franquias possibilitou que qualquer modelo de negócios seja franquiável (iGUi/Divulgação)

Estratégias modernas

Os ajustes no modelo de negócios são consequência de uma nova visão estratégica. Diferentes franquias brasileiras, da Calçados Bibi à iGUi, apostam na internacionalização. Foi com a abertura de duas lojas em Lima, no Peru, que a Bibi começou a atuar com lojas físicas fora do Brasil. Já a fabricante e vendedora de piscinas se prepara para inaugurar, em 2019, sua primeira unidade fabril nos Estados Unidos.

Novos modelos de negócios são bem-vindos. Foi o que aconteceu com a Havanna. A maior e mais tradicional marca de alfajores da Argentina chegou ao Brasil em 2006, adotou o modelo de franquias em 2014 e deu um grande salto em 2016, quando as lojas da rede passaram a oferecer não apenas alfajores para tornarem-se cafeterias completas. “Cresci cercado por lojas Havanna e nunca pensei que elas iriam vender salgados em suas lojas. É uma grande mudança de paradigma”, diz o argentino Diego Schiano, diretor da empresa no Brasil.

A alteração permitiu também alcançar novos locais de atuação. Entre eles, em uma nova agência conceitual do banco Santander, em São Paulo, que conta com espaços de coworking e de treinamento. É a primeira cafeteria aberta dentro de uma agência no Brasil. “Já tínhamos uma loja dentro de uma livraria Saraiva, e agora estamos projetando entrar em novos espaços, como hospitais e hotéis”, diz Diego Schiano.

A cada ano que passa, novos produtos e serviços surgem e se tornam tendência. No ano passado, por exemplo, surgiu a #Hashtec, uma franquia de reparos rápidos de smartphones. A iniciativa foi fundada pelo Grupo PLL, especialista em serviços de assistência técnica de celulares com mais de 13 anos de mercado de pós-venda de celulares. Por enquanto, a empresa atua com duas lojas, mas a meta é encerrar o ano com 30 unidades.

A princípio, são oferecidos dois modelos de loja: tradicional (40 m²) e quiosque (7 m²), com investimento inicial a partir de R$ 80 mil. “O celular se tornou um bem essencial, as pessoas não podem ficar sem ele. Por isso, estamos trabalhando no modelo de reparo rápido, em no máximo 30 minutos”, afirma Lucas Linhares, sócio-diretor da companhia.

Variedade ampla

Os setores mais promissores do momento

• Comunicação por redes sociais

• Terceira idade

• Pets

• Assistência técnica

• Treinamento e consultoria

Diversificação

A iniciativa de fundar a #Hashtec partiu da observação do mercado: até 2016, 70% dos aparelhos que a rede PLL consertava eram novos e estavam na garantia. Desde então, essa proporção se inverteu: 60% dos aparelhos estão fora da garantia, sinal de que são um pouco mais antigos. “Antes as pessoas trocavam de celular todos os anos, agora é a cada dois ou três anos”, explica Lucas Linhares. Ainda assim, só existem lojas físicas de reparo de celular em 150 dos mais de 5 mil municípios brasileiros. Uma grande aposta de mercado, portanto.

Outros setores que surgiram há pouco tempo e estão em franca expansão são o de social commerce, que é a integração entre a venda de produtos e serviços online com o uso de redes sociais, e o de companhias dedicadas a fornecer produtos e serviços para a terceira idade.

Modelos alternativos de cobrança também são testados. A rede Miniso, fundada em Tóquio, em 2013, diferencia-se por cobrar uma taxa de royalty mensal de R$ 5 mil, sem recolher porcentagem em cima do faturamento do franqueado. Focada no design japonês e presente em mais de 60 países, pretende chegar, ao fim de 2018, com 100 unidades instaladas nas regiões sul e sudeste.

“Há duas décadas, quando se falava de franquia, pensava-se em fast-food. Hoje, qualquer negócio pode ser franqueável”, diz Paulo Ancona. “Temos franquias de todos os segmentos, incluindo contabilidade, energia solar, treinamento. Tudo o que pode ser compartilhado pode ser transformado em franquia.”

Franquias participantes do especial

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Fonte: Exame

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