Ex-executivo da Nestlé ressuscita marca de relógio de Freud

No momento, as fabricantes de relógios suíças se recuperam de anos de queda e se adaptam à nova concorrência da Apple

Por
Thomas Mulier e Corinne Gretler, Bloomberg

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12 ago 2018, 08h00

Uma relojoaria vienense que teve Sigmund Freud como cliente ressuscitou, ajudada pelo ex-presidente do conselho da Nestlé, Peter Brabeck-Letmathe.

Fornecedora da corte real austro-húngara, a Carl Suchy & Söhne fabricava relógios de luxo para o imperador Francisco José, para aristocratas e para industriais. Depois da Primeira Guerra Mundial e da queda do império Habsburgo, a empresa foi fechada.

Brabeck impulsionou o ressurgimento comprando um terço de uma nova empresa fundada por um empresário de arte e design de Viena no ano passado. O ex-chefe da Nestlé disse que a decisão foi motivada pelo desejo de manter laços com a Áustria, seu país natal, quando sua mãe faleceu e sua família vendeu as últimas propriedades que tinha no país — e depois de passar meio século na gigante suíça de alimentos.

“É um projeto pequeno e especial”, disse Brabeck em uma entrevista perto da sede da Nestlé, às margens do Lago de Genebra, e o descreveu como “o vínculo emocional com a Áustria que eu estava buscando. Essa foi a minha motivação.”

Em um momento em que as fabricantes de relógios suíças se recuperam lentamente de uma queda de vários anos e se adaptam à nova concorrência da Apple, o setor parece não precisar de mais uma marca que fabrique relógios caros, mas tecnologicamente antiquados – neste caso, um modelo de 7.850 euros (US$ 9.100) de um país alpino vizinho que não é famoso por suas proezas na ciência da medição do tempo.

Rolex e Richemont

A indústria é dominada por três fabricantes da Suíça — Swatch Group, Rolex e Richemont. Os conglomerados franceses de luxo Kering e LVMH também possuem marcas suíças de renome.

Carl Suchy, cujo nome é uma homenagem a um relojoeiro de Viena do século 19, é uma das marcas pequenas de fora do país que surgiram em um momento em que os relógios mecânicos de alto padrão atraem novos fãs em busca de uma alternativa a um IWC Schaffhausen ou a um Patek Philippe. A Leica, famosa por suas câmeras, está experimentando com relógios mecânicos de US$ 12.000 fabricados na Alemanha. A belga Ressence combina a relojoaria tradicional com a tecnologia digital. Muitas das novas marcas, incluindo a Carl Suchy, vendem diretamente aos consumidores pela internet.

“As marcas pequenas podem sobreviver, especialmente se trabalham com a exclusividade, mas precisam estar cientes de que estarão sempre fadadas a permanecer pequenas”, disse René Weber, analista do Bank Vontobel.

Carl Suchy é a segunda marca de relógios em que Brabeck investiu, depois de ter ajudado a levantar 23 milhões de francos (US$ 23 milhões) em 2016 para financiar a HYT SA, uma fabricante suíça de relógios de pulso que usa líquidos para contar as horas. O presidente honorário e ex-diretor executivo da Nestlé disse que se interessou por relógios quando herdou um Omega, cinquenta anos atrás, e agora possui cerca de uma dúzia.

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Fonte: Exame

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