conheça melhor a técnica e outros procedimentos

A camuflagem de estrias e olheiras tornou-se mais conhecida nos últimos meses depois que personalidades como Gretchen e o filho Thammy Miranda realizaram o procedimento sob os olhos. No caso deles, a técnica usada foi a tatuagem, mas há quem opte pela micropigmentação também. Para quem prefere os meios tradicionais, é possível tratar, não apenas disfarçar, essas marcas na pele com diferentes métodos.

O E+ conversou com profissionais que realizam esses diferentes procedimentos e em um ponto todos concordam: é preciso estar atento à qualificação de quem atua na área. No Instagram, esteticistas mostram os resultados positivos da camuflagem e outros alertam sobre os riscos da técnica. Segundo estes, a tinta utilizada pode mudar de cor, migrar da região aplicada e sofrer com a ação solar ou processo fisiológico da pele. Quem executa a técnica afirma que, com os devidos cuidados, o cliente não terá problemas.

Tatiana Gabbi, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), faz uma ressalva quanto às camuflagens. “Recomendo camuflagem na última possibilidade, quando não tem tratamento para alguma coisa. Quando tem, o melhor é tratar”, orienta.

Ela explica que as estrias são pedaços de pele que se esticaram. Os fatores para o aparecimento delas são vários e ela cita o crescimento rápido ou uma medicação que influencie na constituição da pele. “Ocorre perda de fibras elásticas e dá o aspecto avermelhado”, resume.

Entre os tratamentos que podem ser adotados, Tatiana menciona o ácido retinóico, principalmente nas estrias vermelhas, laser – para as brancas, cujo processo inflamatório já diminuiu -, micropuntura ou medicamentos injetáveis. “Os resultados variam conforme a pessoa. Se nenhum deles funcionar, a pessoa pode pensar em disfarçar, não tem problemas, desde que seja em um lugar recomendado”, diz.

Possíveis riscos

O esteticista e cosmetólogo Ricco Porto publicou em seu perfil no Instagram um caso de camuflagem que deu errado (veja mais abaixo). Nos comentários, profissionais se dividiram entre apoiá-lo e emitir críticas negativas.

“Muitas vezes, o indivíduo busca um resultado imediato, que seria essa camuflagem, e acaba não dando atenção a aspectos importantes: a qualificação do profissional, se a técnica já foi validada cientificamente, se existe um estudo para médio ou longo prazo, como a técnica se comporta na pessoa que pega sol e se tem variações de coloração”, disse Porto. Segundo ele, é preciso “avaliar muito bem” todos esses pontos.

A dermaticista Rosangela Robledo, que é especialista em estrias e melasmas, também fez um alerta sobre camuflagem em suas redes sociais (veja mais abaixo). “Tanto na micropigmentação, que é superficial, quanto na tatuagem, que é mais profunda, a pele sofre alteração com o tempo. A pele sofre com o envelhecimento, tem o sistema fisiológico que atua contra essa tinta, porque vem a flacidez, a pele muda, a tinta migra. A minha opinião é que, tanto superficial quanto no nível mais profundo, a pele vai sofrer”, afirma.

Quem realiza a camuflagem defende que existem bons e maus profissionais e que é preciso avaliar o histórico deles antes de realizar o procedimento. “Existem muitos profissionais que não estão preparados. Para a pessoa poder desenvolver a técnica de forma correta, ela tem de estudar, tem de entender de pele, da estrutura química dos pigmentos, tem de fazer vários cursos”, diz Fernanda Jaffre, que oferece o serviço com tatuagem há dois anos.

“Desde então, tenho me especializado em dermopigmentação, pigmentologia, pele, colorimetria. Tudo isso tem me levado a um protocolo mais ajustado e cada vez mais seguro”, afirma. Atualmente, Fernanda cursa biomedicina para aprimorar a técnica.

A micropigmentadora Vanessa Silveira reforça o alerta. “A dica é olhar o histórico de fotos da pessoa nas redes sociais, ver há quanto tempo ela está fazendo isso”, diz. Segundo ela, “uma micropigmentadora que se formou apenas em sobrancelha não tem condição de fazer a técnica da camuflagem de olheiras”, por exemplo.

Camuflagem de estrias com tatuagem

A técnica é como uma tatuagem comum, tem resultado duradouro, sem risco de mudança de cor e permite que a pessoa se exponha ao sol, segundo Fernanda Jaffre. Ela destaca o material utilizado. “Por mais que o dermógrafo [usado na micropigmentação] seja parecido com a máquina de tatuagem, a rotatividade do motor da tatuagem é mais potente, o que permite um maior aprofundamento do pigmento na pele”, explica.

No caso, a tinta chega até a derme, segunda camada da pele. A micropigmentação atua na epiderme, que é a parte mais superficial. Fernanda reconhece que a técnica é muito nova e não há como prever resultados em longo prazo, mas aposta nos resultados imediatos e toma alguns cuidados na hora de atender uma pessoa – o público dela é totalmente feminino.

“Tudo influencia nos resultados, inclusive a idade da paciente. Uma mulher com cerca de 50 anos e estrias profundas não terá os mesmos resultados de uma pessoa mais jovem”, diz. Ela diz que explica isso para suas clientes e evita atender menores de idade, pessoas que fizeram algum tratamento recente ou com pele sensível e quem tem tendência à hiperpigmentação. Neste caso, o cuidado é “para não deixar as estrias piores”.

Ela afirma que sempre aconselha a pessoa a procurar um tratamento primeiro, mas se a pessoa não teve resultados positivos, a tatuagem é uma opção. Por enquanto, Fernanda não faz camuflagem de olheiras. “Acredito que, para mexer com rosto, tem de ter conhecimento mais científico, porque é uma coisa sensível, a fisiologia do rosto funciona diferente”, afirma e diz que só pretende atuar nessa parte do corpo depois de concluir o curso de biomedicina.

A dermatologista Tatiana Gabbi diz que, no geral, os profissionais da área não recomendam tatuar a pele. “Se a pessoa faz, a gente orienta”. Ela lembra que é sempre importante que o material da tatuagem, principalmente agulhas, sejam descartáveis e que a pessoa busque um profissional qualificado.

Camuflagem de estrias com micropuntura

Vanessa Silveira, que tem uma rede de clínicas que leva seu nome, utiliza duas técnicas. “Primeiro, trato as estrias com micropuntura, conseguindo diminuir a profundidade e deixando-as mais finas. A camuflagem vai cobrir o que sobrou com a cor da pele da pessoa”, explica.

Segundo ela, que trabalha com a técnica desde 2012, a micropuntura é parecida com o microagulhamento (leia mais abaixo) e a camuflagem é feita com uma micropigmentação exclusiva, cujo “segredo” ela não quis revelar. “Só pintar deixa com aspecto de pele pintada mesmo. A gente desenvolve algo capaz de trazer um tom próximo do natural”. Depois dos procedimentos, ela aplica um laser com o qual “a pessoa vai embora com a pele quase cicatrizada”.

Fonte: PORTAL TERRA – VIDA E ESTILO

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