Comparativo: Mercedes-Benz Vito enfrenta Citroën Jumpy

A semelhança entre Vito e Jumpy vai além do visual espartano

A semelhança entre Vito e Jumpy vai além do visual espartano (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Nem tão pequena quanto um Fiat Fiorino nem tão grande quanto um Renault Master. A Volkswagen Kombi pode ser dirigida por qualquer motorista e entra e sai de qualquer estacionamento sem dificuldades. Só tem um problema: ela deixou de ser produzida em 2013.

A solução é recorrer ao Mercedes-Benz Vito ou aos gêmeos Citroën Jumpy e Peugeot Expert. Parecem e são um pouco maiores. Mas também são mais modernos, versáteis e, de certa forma, mais eficientes.

Tentamos descobrir qual desses furgões é mais fiel aos princípios do pão de fôrma ambulante da Volkswagen.

Mercedes Vito Vito tem caine mais baixa e próxima dos carros de passeio

Vito tem caine mais baixa e próxima dos carros de passeio (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O Citroën Jumpy representa o lado francês. Com exceção da frente e dos logotipos, é exatamente igual ao Peugeot Expert. Têm, inclusive, os mesmos custos de aquisição e manutenção.

Repetem a redundância que já existiu entre o Jumper e o Boxer para estar presente em cidades onde só uma das marcas tem loja.

Citroën Jumpy Jumpy é baseado na mesma plataforma EMP2 do C4 Picasso

Jumpy é baseado na mesma plataforma EMP2 do C4 Picasso (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Tanto o Jumpy como o Expert são montados no Uruguai pela Nordex – que também monta o Kia Bongo. O Citroën ainda tem versão de passageiros, com 11 lugares – contra oito da versão familiar do Vito.

O motor é sempre um 1.6 turbodiesel de 115 cv e 30 mkgf a 1.750 rpm, com câmbio manual de seis marchas e tração dianteira.

Citroën Jumpy Motor 1.6 turbodiesel do Jumpy tem 115 cv e 30 mkgf, ou 1 cv e 2,5 mkgf a mais que o Vito. Mas a força máxima vem a 1.750 rpm contra 1.500 rpm

Motor 1.6 turbodiesel do Jumpy tem 115 cv e 30 mkgf, ou 1 cv e 2,5 mkgf a mais que o Vito. Mas a força máxima vem a 1.750 rpm contra 1.500 rpm (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O Mercedes Vito tem mais tempo de Brasil. Chega da Argentina em duas configurações desde 2015: a 119 Tourer, de passageiros, com motor 2.0 turbo flex de 184 cv e tração traseira, e a 111 Furgão, com motor 1.6 turbodiesel de 114 cv e 27,5 mkgf a 1.500 rpm, câmbio manual de seis marchas e tração dianteira.

Mercedes Vito Motor do Vito não é o mais potente nem o mais eficiente. Mas perdeu menos desempenho que o do Jumpy quando testado com lastro de 500 kg

Motor do Vito não é o mais potente nem o mais eficiente. Mas perdeu menos desempenho que o do Jumpy quando testado com lastro de 500 kg (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Não os subestime. Vito e Jumpy têm carroceria monobloco, como a Kombi. É uma arquitetura mais leve que a de carroceria sobre chassi, usada em vans grandes, como Mercedes Sprinter e Fiat Ducato.

O conjunto independente com braço semiarrastado usado nas vans menores garante melhor dinâmica e rodar mais confortável que o eixo rígido das maiores. Elas estão mais próximas dos carros de passeio do que parece.

Mercedes Vito Vito usa o comando de seta e a chave de faróis do Mercedes Classe C. O assoalho não é plano como o do Citroën Jumpy

Vito usa o comando de seta e a chave de faróis do Mercedes Classe C. O assoalho não é plano como o do Citroën Jumpy (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A van franco-uruguaia é baseada na plataforma modular EMP2, mesma dos Citroën C4 Picasso e Peugeot 3008. Mas não espere encontrar semelhanças entre eles ao volante.

O motorista não senta tão relaxado, dirige com as pernas a 90o e diante de um volante sensivelmente deslocado para a direita, assim como os pedais.

O Mercedes Vito tem motivo para ficar mais próximo dos automóveis. Alguns componentes vêm dos Classe A e C, caso dos comandos de vidros, de faróis e de setas, e o do ar-condicionado, emprestado das versões básicas vendidas na Europa.

Citroën Jumpy Jumpy tem volante e pedais deslocados para direita

Jumpy tem volante e pedais deslocados para direita (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Além disso, o motorista fica em posição mais baixa, perto dos carros, e pedais e volante estão centralizados. Por fim, o câmbio manual de seis marchas do Vito é mais preciso e tem manuseio mais confortável que o do Citroën.

Será que entrega?

A função dos dois modelos é transportar carga. Os projetos modernos garantem boa capacidade de carga: são 1.500 kg no Citroën e 1.225 kg no Mercedes.

As dimensões do compartimento de carga do Jumpy são pouco maiores que as do Vito, com exceção para o vão entre as caixas de roda, 12 cm maior no Mercedes.

Mercedes Vito Tampa tem abertura vertical, que necessita de mais espaço para ser aberta

Tampa tem abertura vertical, que necessita de mais espaço para ser aberta (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Mercedes Vito Assoalho do Vito é revestido de fibra, que evita arranhões e permite arrastar a carga.

Assoalho do Vito é revestido de fibra, que evita arranhões e permite arrastar a carga. (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Enquanto o Vito tem um pequeno vão que avança sob os bancos, o Jumpy tem um alçapão sob o banco do carona que permite invadir o piso da frente.

Assim, é possível carregar objetos com até 4 metros, solução criativa típica dos franceses. 

Citroën Jumpy Há um alçapão sob o assento do carona que dá acesso ao compartimento de carga atrás. Assim, leva-se objetos com comprimento de até 4 metros no Citroën

Há um alçapão sob o assento do carona que dá acesso ao compartimento de carga atrás. Assim, leva-se objetos com comprimento de até 4 metros no Citroën (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A prova de 0 a 100 km/h não tem tanto peso para veículos comerciais, mas a forma como eles reagem quando carregados importa. Por isso, testamos Vito e Jumpy duas vezes: primeiro sem carga e depois com lastro de 500 kg. É aí que os pequenos 1.6 turbodiesel mostraram seu valor. 

O Jumpy obteve números melhores que os do Vito em todas as provas, o que pode ter relação com o câmbio mais curto nas primeiras três marchas.

O Vito até sentiu menos o impacto do lastro, mas continuou perdendo para o Citroën quando carregado.

Citroën Jumpy Além de portas que abrem para os lados, Citroën Jumpy tem espaço de carga mais amplo

Além de portas que abrem para os lados, Citroën Jumpy tem espaço de carga mais amplo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No consumo, mais vantagem para o Jumpy: 12,6/16,1 km/l (cidade/estrada) contra 10,5/15,6 km/l, vazios. Com lastro, a diferença diminuiu, mas o Vito ainda é pior.

O mesmo ocorreu na frenagem: de 60 km/h a 0, o francês precisou de 20 cm a menos, como se vê nas tabelas ao lado. 

O choque de realidade acontece na hora de checar os equipamentos. O Citroën Jumpy básico custa R$ 86.090 e tem airbags dianteiros, freios ABS, vidros elétricos, volante com ajuste de altura e profundidade, controles de estabilidade e tração e rádio com USB.

Citroën Jumpy Jumpy tem assoalho de metal que fica exposto e pode ser arranhado pela carga

Jumpy tem assoalho de metal que fica exposto e pode ser arranhado pela carga (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A versão Pack, como o carro das fotos, sai por R$ 94.290 e traz a mais retrovisores elétricos, faróis de neblina, alçapão sob o banco do carona para colocação e cargas compridas e o providencial ar-condicionado.

Citroën Jumpy Alavanca de câmbio do Jumpy fica mais próxima do motorista

Alavanca de câmbio do Jumpy fica mais próxima do motorista (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No Vito a situação não é muito diferente. A versão 111 CDI, de R$ 105.000, tem os mesmos equipamentos do Jumpy básico, além do rádio com USB e Bluetooth integrado ao painel, do monitor de cansaço do motorista e da forração de fibra na área de carga.

Mercedes Vito Mercedes traz rádio com Bluetooth integrado ao painel. Comando de ar-condicionado é o mesmo dos Mercedes mais básicos

Mercedes traz rádio com Bluetooth integrado ao painel. Comando de ar-condicionado é o mesmo dos Mercedes mais básicos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Mercedes Vito Entrada USB do Vito é embutida no porta-objetos

Entrada USB do Vito é embutida no porta-objetos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Mas ar-condicionado é um opcional de R$ 5.000, enquanto os retrovisores elétricos elevam a conta final em R$ 740. Um carro como o das fotos sai por R$ 110.740.

Na hora de manter, porém, o Vito é menos dispendioso. Com revisões a cada 20.000 km, custa R$ 2.293 para ficar em dia até os 60.000 km. Para o Citroën, as três revisões que cobrem os 60.000 km somam R$ 2.554.

Mercedes Vito Rodas da Mercedes são de aço

Rodas da Mercedes são de aço (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A Citroën ainda promete fazer as revisões em um dia ou o próximo serviço será gratuito. A rede de concessionárias, porém, é menor: 109 estabelecimentos contra 180 para os veículos comerciais da Mercedes.

O Jumpy ainda tem o custo do Arla32, solução de ureia injetada no duto de escape para reduzir quimicamente as emissões. O tanque de 22,4 litros dura de 15.000 e 20.000 km.

Mas não é um produto caro: com o litro a R$ 2,50, encher o tanque custa R$ 56.

Citroën Jumpy Assim como a Mercedes, rodas do Citroën são de aço

Assim como a Mercedes, rodas do Citroën são de aço (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Apesar da manutenção um pouco mais cara, o Jumpy leva pelo custo de aquisição sensivelmente menor, melhor desempenho e consumo e por ser mais equipado e prático – o Vito só ganha em conforto e rede autorizada maior. Esse é o raro momento em que um Citroën vence um Mercedes.

Teste de Pista – Vans Vazias

Mercedes Vito (Vazio) Mercedes Vito (Carregado) Citroën Jumpy (Vazio) Citroën Jumpy (Carregado)
Aceleração de 0 a 100 km/h 15,7 s 19 s s 14,1 s 17 s
Aceleração de 0 a 1.000 m 36,6 s 38,9 s 36 s 37,7 s
Velocidade máxima (dados de fábrica) 170 km/h n/d 160 km/h n/d
Retomada de 40 a 80 km/h (em 3°) 6,2 s 7,7 s 5,5 s 7,3 s
Retomada de 60 a 100 km/h (em 4°) 9,9 s 11,9 s 8 s 10,3 s
Retomada de 80 a 120 km/h (em 5°) 16,3 s 18,3 s 12,2 s 15,4 s
Frenagem de 60/80/120 km/h a 0 m 19/32,8/75,9 m 18,8/33,2/76,2 m 16,8/30/68,2 m 17,5/31,1/72,8 m
Consumo urbano (teste com diesel S10) 10,5 km/l 10,1 km/l 12,6 km/l 11,6 km/l
Consumo rodoviário (teste com diesel S10) 15,6 km/l 15,2 km/l 16,1 km/l 15,3 km/l

Ficha técnica

Mercedes Vito 111 CDI Citroën Jumpy Pack
Preço R$ 105.000 R$ 94.290
Motor turbodiesel, diant., transv., 4 cil. em linha, 1.598 cm3, 16V, 80 x 79,5 mm, 15,4:1, 114 cv a 3.800 rpm, 27,5 mkgf a 1.500 rpm turbodiesel, diant., transv., 4 cil. em linha, 1.560 cm3, 8V, 75 x 88,3 mm, 16:1, 115 cv a 3.500 rpm, 30 mkgf a 1.750 rpm
Câmbio manual, 6 marchas, tração dianteira manual, 6 marchas, tração dianteira
Direção elétrica eletro-hidráulica
Suspensão McPherson(diant.), ind. braço arrastado (tras.) McPherson(diant.), ind. braço arrastado (tras.)
Freios disco ventilado (diant.), disco sólido (tras.) disco ventilado (diant.), disco sólido (tras.)
Rodas e pneus 225/40 R18 215/65 R16
Dimensões comp., 514 cm; largura, 192,8 cm; altura, 191 cm; entre-eixos, 320 cm; peso, 1.825 kg; tanque, 70 l; capacidade de carga, 1.225 kg; volume útil: 6 m² comp., 530,9 cm; largura, 192 cm; altura,193,5 cm; entre-eixos, 327,5 cm; peso, 1.700 kg; tanque, 69 l; capacidade de carga, 1.500 kg; volume útil: 6,6 m²

Fonte: Revista Quatro Rodas

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