Combate a corrupção domina debate na III Cúpula Empresarial

Transparência para lutar contra a corrupção que abala as bases da política latino-americana e muitas empresas e integração para promover produtos “Made in Américas” são os pontos-chave do encontro de empresários que acontece antes da Cúpula das Américas, em Lima, nesta quinta-feira (12).

Preocupados com a corrupção desenfreada e o lento desenvolvimento da região, cerca de 300 empresas elaboraram o relatório “Ação para o Crescimento: Recomendações de Políticas e Plano de Ação 2018-2021 para o Crescimento nas Américas”, com propostas em cinco áreas-chave.

São elas o fortalecimento da transparência e a integridade; a digitalização do crescimento; o comércio do futuro; a energia para o desenvolvimento; e habilidades para o futuro do trabalho.

Cerca de 1.200 participantes estão inscritos nesta III Cúpula Empresarial, que antecede a Cúpula das Américas, que começa nesta sexta-feira, para tratar de assuntos que passam por superação do déficit de infraestrutura, revolução agroindustrial, integração e tecnologia financeira para o continente e integração da mulher.

Em meio à onda de corrupção que atinge políticos e empresas da região, os empresários se comprometeram a fazer sua parte nos esforços para diminuir esse flagelo que prejudica o crescimento.

O anfitrião da reunião, o presidente peruano, Martin Vizcarra, pediu para “abordar de maneira decisiva o problema da corrupção, promovendo uma cultura de integridade em nossa região”.

Vizcarra assumiu a Presidência em um país onde acusações de corrupção derrubaram o presidente Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou recentemente devido a suas ligações com a construtora Odebrecht, e que tem outro ex-presidente preso, Ollanta Humala, e uma ordem de extradição para Alejandro Toledo – todos envolvidos com a corrupta empreiteira brasileira.

“O crescimento econômico sustentável não pode se dar sem institucionalidade”, alertou Vizcarra, que defendeu o fim do pagamento de propinas e a “concessão de obras públicas a concorrentes inadequados”.

“Deveríamos ser mais ambiciosos, impacientes e atrevidos” na hora de lutar pela democracia, a liberdade e a integração regional, disse o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Alberto Moreno.

“Divididos não podemos competir”

A integração regional é fundamental para acelerar o desenvolvimento, lembrou Moreno.

“Está claro que, se continuarmos divididos, nossos países nunca terão escala suficiente para atrair grandes investimentos, ou para competir efetivamente na economia global”, alertou.

Ele deu como exemplo “o gigantesco potencial para desenvolver fontes não convencionais de energia renovável”, que permitiriam não apenas proteger o ambiente, mas fazer grandes economias.

A energia solar que recebida no deserto do Atacama (no Chile), disse, poderia gerar eletricidade suficiente para abastecer a demanda diurna de toda a América do Sul. E, de noite, poderia se aproveitar o potencial maciço de geração eólica do Brasil.

“Nossos governos precisam de cerca de 150 bilhões de dólares adicionais ao ano para financiar obras de infraestrutura”, indicou.

Para suprir essas necessidades, ele propôs que os fundos de pensões, “que administram ativos de mais de 700 bilhões de dólares”, invistam em infraestruturas, como fazem em outras regiões.

Mais mulheres na economia

Um protesto pedindo maior participação feminina na economia atravessou a sala de reunião dos empresários no hotel Westin de Lima.

“A força vem da diversidade. A igualdade de gênero não é apenas um tema social, mas de negócios”, disse Enrique Ortegón, diretor para América Latina da americana Salesforce.

Oito multinacionais anunciaram seu compromisso com a iniciativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento #100KChallenge para capacitar, conectar e certificar mais de 100 mil mulheres de empresas das Américas para 2021.

Através da plataforma MujeresConectadas, o BID e as empresas aliadas vão colaborar para fortalecer as habilidades e capacidades digitais e empresariais das empreendedoras, mediante capacitação, facilitarão sua vinculação às cadeias regionais e globais e valor e impulsionarão programas educativos.

Créditos: Exame

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