Clubes alemães e adolescentes ingleses: o efeito Jadon Sancho

À primeira vista, é fácil precisar o início do caso de amor da Bundesliga com os jovens jogadores ingleses: os primeiros dias de outubro de 2016. E um local específico: Pula, na Croácia. Naquela semana, a equipe sub-17 da Inglaterra participou da Copa da Croácia, evento que contou com a participação de times de Alemanha, Grécia e do país anfitrião. A Inglaterra arrematou o campeonato com uma goleada de 8 a 1 contra a Alemanha.

Embora muitos dos jogadores ingleses envolvidos na competição tenham participado da Copa Mundial Sub-17 pouco mais de um ano depois, um deles se destacou. Um olheiro, então, indicou o jogador, Jadon Sancho, para seus superiores, mas em vão.

Ele estava a caminho da Alemanha, para assinar com o Borussia Dortmund, outro clube que estava de olho nele naquele dia. Em poucos meses Jadon passou a jogar regularmente no primeiro time do Dortmund.

Jadon foi também pioneiro numa nova moda. Depois dele, um grande número de jovens jogadores britânicos aterrissou na Bundesliga.

Em janeiro, o Bayern de Munique também estava tão determinado a contratar Callum Hudson-Odoi do Chelsea – outro jogador que se destacou na Croácia – que ofereceu 40 milhões de euros (cerca de US$ 45 milhões) pelo adolescente, que havia participado de alguns jogos adultos. O efeito provocado por Jadon Sancho, seu legado daquele dia em Pula, foi poderoso.

“Há 10 anos decidimos que os jogadores jovens tinham de ser nosso foco”, disse Max Eberl, diretor esportivo do Möenchengladbach. “Não possuíamos potencial financeiro para outra coisa. Tínhamos de conseguir recursos e valor de uma maneira diferente.”

Isso significou descobrir os melhores talentos jovens não só na Alemanha, mas em toda a Europa. Os olheiros do Möenchengladbach começaram a acompanhar os times nacionais de jovens para determinar que jogadores eram vistos como os melhores em seu país natal e ter a chance de compará-los diretamente com os talentos em ascensão na Alemanha.

Inicialmente a ênfase foi na França, Bélgica e Holanda – que tradicionalmente são terrenos férteis nesse aspecto, e também a Dinamarca, com a qual o clube de Eberl tem fortes vínculos. “A Inglaterra não era um mercado que pensávamos em explorar”, disse ele, mas não demorou muito tempo para perceber que havia ótimos jogadores nos times jovens ingleses.

apostilas em pdf opção

Ele então enviou seus olheiros para assistirem jogos entre equipes sub-18 e sub-23. “Os jogadores que estavam desenvolvendo – cerca de 30 ou 40 -, realmente bons e bem preparados, não tinham nenhuma chance.”

Na mesma época o Dortmund chegou à mesma conclusão. “Há cinco ou dez anos percebemos que a educação e o desenvolvimento dos jogadores jovens na Inglaterra eram muito bons”, disse Michael Zorc, diretor técnico do clube.

E o mais importante, essas academias de vanguarda estavam produzindo jogadores com a qualidade que os clubes da Bundesliga necessitavam. “A Inglaterra tem jogadores muito criativos”, diz Nils Schmadtke, que foi olheiro do Colônia. “Garotos como Sancho, bom para penetrar nas linhas laterais, que não temem enfrentar o adversário, têm uma boa técnica e são rápidos.”

Jovens jogadores são a carta de visita da Bundesliga. A primeira divisão da Alemanha se orgulha da disposição dos seus clubes de dar oportunidade aos atletas. Um estudo feito em fevereiro concluiu que a Alemanha é a mais jovem das maiores ligas da Europa – independente de idade ou experiência. O país é visto, e se vê, segundo um e-mail recente, “como uma fábrica de talentos”.

Mas crescem as preocupações de que cada vez menos desses talentos estejam surgindo localmente, num momento em que o futebol alemão necessita de renovação.

Eberl acha que a Alemanha cometeu erros no desenvolvimento dos seus jogadores jovens. Os clubes, segundo ele, caíram na armadilha de tentar produzir times jovens vencedores em vez de se concentrarem no indivíduo. Para Schmadtke os adolescentes alemães sofrem porque são expostos muito rapidamente ao futebol sênior.

Ambos estão confiantes de que é um hiato e não um ponto final. “Teremos jogadores no futuro, mas vai levar tempo”, disse Eberl. Nesse ínterim, os clubes alemães continuarão de olho na Inglaterra, esperando encontrar mais jogadores que sigam o caminho aberto por Sancho.

Fonte: PORTAL TERRA – ESPORTES

Download Estrategia Concursos PDF

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *