Cidade pré-colombiana enterrada na floresta é descoberta em Honduras

Expedição de arqueologistas descobriu uma “Cidade Branca” onde os antigos moradores provavelmente adoravam um “deus macaco”

 Dentro da mata fechada de Mosquitia, em Honduras, na América Central, uma cidade perdida, abandonada por uma misteriosa civilização que ali viveu muitos séculos atrás e que se tornou lendária pelos relatos do ouro que possuía e de suas “crianças-macacos”, foi encontrada nas profundezas das florestas úmidas do país, anunciou uma equipe de arqueologistas dos Estados Unidos e da nação caribenha.

A expedição buscava pelo lugar da lendária “Cidade Branca”, também conhecida como “Cidade do Deus Macaco”, objetivo dos exploradores ocidentais desde os dias em que os espanhóis chegaram ao continente americano, no século XVI. A cidade, considerada uma das muitas perdidas na floresta de Mosquitia, foi a casa de um povo desconhecido que ali prosperou durante milhares de anos, mas foi varrida do mapa. Ao contrário dos Maias, muito pouco se sabe até hoje sobre essa cultura pré-colombiana que não possui nem mesmo um nome.

A descoberta foi revelada pela revista estadunidense National Geographic, que enviou um repórter e um fotógrafo para acompanhar a expedição por uma vale de crateras, circundada por montanhas imponentes e grandes rios. Os arqueologistas pesquisaram e mapearam várias “plazas”, cartografias, montanhas e até uma pirâmide, segundo a publicação.

Eles também descobriram um local escondido com esculturas de pedra que tinha permanecido intocado por séculos e documentava as descobertas do povo local, e que nunca tinha sido escavado. “Isso mostra que mesmo agora, no século XXI, há muito a descobrir sobre o mundo”, disse o líder da expedição, Christopher Fisher, ao NG.

“A natureza intocada desse lugar é única e, se preservada e devidamente estudada, pode nos contar muito sobre esse povo do passado e providenciar dados críticos para a conservação moderna”, completou.

O lugar se encontra nas profundezas de Mosquitia, uma vasta região inabitada com montanhas, rios e pântanos, mas não tão distante das praias paradisíacas do país, que passaram a receber mais turistas nos últimos anos por causa das passagens aéreas baratas para a América Central tanto saindo dos EUA quanto dos países sul-americanos.

Para navegar na vegetação densa, a equipe foi guiada por Steve Sullivan e Andrew Wood, dois ex-soldados britânicos da SAS, as forças aéreas do Reino Unido, especialistas em sobrevivência na selva. Acompanhados por tropas hondurenhas, eles fizeram uma base em uma pequena cidade ligada e eram levados por um helicóptero militar até a zona selvagem da floresta. A inacessibilidade do terreno fez com que o local se tornasse a maior rota de drogas para os cartéis que traficam cocaína da América do Sul para os Estados Unidos.

A expedição seguiu o trabalho de uma pesquisa aérea feita em 2012 que usou um radar tecnológico preso ao solo para mapear o solo da floresta através de sensores, e que identificou o que parecia ser uma grande estrutura arquitetônica enterrada embaixo da terra. A equipe encontrou cerca de 52 artefatos saindo do chão, muitos deles deitados sobre a terra – o que pareciam ser túmulos. Os itens incluem lugares cerimoniais de pedra e pedaços de embarcações decoradas com cobras e abutres.

Fisher acredita que a principal descoberta foi a cabeça do que parecia ter sido um jaguar, possivelmente representando um xamã transformado em um estado espiritual. Os arqueólogos acreditam que os artefatos são datados de 1000 a 1400 d.C.

Os pesquisadores ocidentais se aventuraram dentro da selva por séculos em busca de relatos das ruínas brancas de uma cidade perdida. Algumas crenças indígenas locais sempre relataram a existência de jardim místico perdido entre as árvores, enquanto outras falavam sobre um lugar repleto de ouro.

Theodore Morde, um aventureiro estadunidense, provavelmente encontrou o lugar em uma expedição feita em 1940, mas ele morreu sem revelar a localização exata. Ele descreveu a cidade onde uma divindade em forma de macaco gigante era adorada e onde as tribos descreveram seres que eram metade humanos e metade símios. O projeto atual foi fundado e organizado por Steve Elkins e Bill Benenson, dois cineastas dos EUA.

Fisher e seus colegas mantêm o local exato da descoberta em segredo para protegê-lo de possíveis roubos. Mas eles temem ter que enfrentar uma ameaça maior dos fazendeiros locais que estão se aproximando cada vez mais da “Cidade Branca” para a produção de carne bovina. “Perder esse patrimônio cultural e ecológico para indústria de hambúrgueres é algo que estou tendo dificuldade para lidar”, finaliza Fisher.

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