Chamar ministra Cámen Lúcia só pelo nome é errado. Sabe que pronome usar?

Professor Diogo Arrais explica quais são os pronomes de tratamento para autoridades. Norma é cobrada em concursos públicos

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Diogo Arrais, professor de português (@diogoarrais)

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3 abr 2018, 12h00

Chamar ministra Cámen Lúcia só pelo nome é errado. Sabe que pronome usar?

É no mínimo desrespeitoso tratar – sem o devido cargo – uma presidente do Supremo Tribunal Federal. Notam-se diversas frases com: “Cármen Lúcia afirma que..”, “Cármen Lúcia pede que…”.

De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, em uma correspondência oficial a uma presidente do STF, deve ser utilizado o vocativo “Excelentíssima Senhora Presidente”, já que a ministra é chefe do Poder Judiciário.

 Vocativo é expressão de chamamento e aparece antes do texto:

“Excelentíssima Senhora Presidente do Supremo Tribunal Federal,

 Nas últimas semanas, o Senado vem sendo alvo de….”

 Durante o texto, caso se dirija diretamente a essa autoridade, o pronome de tratamento é “Vossa Excelência”:

“Excelentíssima Senhora Presidente do Supremo Tribunal Federal,

 Estamos remetendo a Vossa Excelência o orçamento acerca de…” 

 No entanto, caso se comente sobre a autoridade (falando sobre ela), “Vossa” dará lugar a “Sua”:

“Senhor Deputado X,

Referimo-nos, durante esta semana, ao pronunciamento de Sua Excelência, a ministra  Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal.”

Enfatizo, caro leitor: a norma acima é para correspondências oficiais, sempre cobrada em concursos públicos e a utilizada na Presidência.

Curioso é também notar que – com os pronomes de tratamento “Vossa Excelência”, “Vossa Senhoria”, “Vossa Magnificência”, “Vossa Reverência” – a concordância do verbo ocorrerá com a 3ª pessoa:

“Vossa Excelência poderia solicitar…”

“Vossa Excelência será…”

Apesar da notória formalidade, por que as manchetes tratam a presidente do Supremo Tribunal Federal apenas como “Cármen Lúcia”? Seria apenas a falta de espaço, já que uma manchete deve ser breve? Fico com a questão do desrespeito mesmo.

Usar “Doutor” a quem concluiu o doutorado; usar “Mestre” a quem teve a tese defendida e aceita; usar “Presidente” a quem – além de ministro – é (ou ao menos “está”) traduz a noção diplomática de um povo.

Um grande abraço, até a próxima e inscreva-se no meu canal!

Diogo Arrais – @diogoarrais

YouTube: MesmaLíngua

Autor Gramatical pela Editora Saraiva

Professor de Língua Portuguesa

 

Créditos: Exame

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