Avesso a holofotes, Guardia deve marcar Fazenda com estilo mais técnico

Guardia, que ocupou a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda desde junho de 2016, é sério, quieto e formal, tendo poucas vezes dado entrevistas

Por
Camila Moreira e Patrícia Duarte, da Reuters

access_time

6 abr 2018, 17h21

São Paulo  – Mais rigoroso nas negociações e com visão bastante técnica, o novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, é também diferente do seu antigo chefe Henrique Meirelles quando o assunto é “holofote”, sobretudo com a imprensa.

Guardia, que ocupou a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda desde junho de 2016, é sério, quieto e formal, tendo poucas vezes dado entrevistas. Prefere ficar nos bastidores, onde inclusive praticamente tocou a pasta que agora assume formalmente, sobretudo após Meirelles começar a trabalhar para viabilizar sua eventual candidatura à Presidência.

No cargo que ocupava até agora, Guardia assumiu tarefas importantes e polêmicas. Ficou, por exemplo, responsável pela coordenação do grupo interministerial que negocia com a Petrobras os termos da revisão de um contrato conhecido como cessão onerosa, assinado em 2010 e que garantiu à petroleira o direito de explorar áreas do pré-sal sem licitação.

Enquanto a União entende que é credora da estatal em alguns bilhões de dólares, a Petrobras –comandada por Pedro Parente–acha o contrário.

“Ele tem atuado com maestria nas negociações. Tem equilibrado as partes interessadas”, afirmou à Reuters uma fonte que trabalha junto ao novo ministro.

Segundo a fonte, Guardia tem um perfil “agregador” e que agrada toda a equipe da Fazenda, além de dar segurança de que o trabalho feito até agora –sobretudo com preocupações fiscais– será mantido.

Graduado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Guardia é doutor em economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP). Também gosta de esportes, que pratica com regularidade.

Já foi da iniciativa privada, tendo trabalhado de maio de 2013 a junho de 2016 como executivo na B3 (ex-BM&FBovespa), onde ocupou cargos de diretor financeiro e de produto. Antes, foi da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, da Secretaria do Tesouro Nacional e foi secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

A fama de durão nas negociações e sua proximidade com os tucanos são vistas com reservas por parte de parlamentares, levando alguns a se posicionarem contra sua indicação à Fazenda. Meirelles, no entanto, acabou ganhando essa queda-de-braço e conseguiu emplacar Guardia como seu sucessor nesta reta final do governo do presidente Michel Temer.

(Reportagem adicional de Marcela Ayres, em Brasília, e Aluísio Alves, em São Paulo)

Créditos: Exame

%d blogueiros gostam disto: