Avaliação: Jaguar F-Type 2.0 continua irresistível

Sob o longo capô, um compacto motor 4 cilindros. O Jaguar F-Type chegou em 2013/2014 (Cabrio/Coupé) em versões V8 de 500 cv – hoje com até 550/575 nas opções R e SVR – e duas V6, de 340 e 380 cv. Agora, o felino faz uma dieta e estreia a versão de entrada 2.0 de 300 cv. Claro que desempenho e sonoridade não são iguais aos dos V6, e muito menos aos do V8, mas ficam longe de decepcionar. E é uma forma bem mais acessível de botar as mãos no belíssimo e divertido esportivo inglês. O F-Type R-Dynamic 2.0 Coupé custa R$ 339.929, R$ 142.000 a menos que o V6 de 380 cv, ofertado logo acima na tabela atual (já o Cabrio 2.0 custa R$ 346.144).

É impressionante como o F-Type, releitura do clássico E-Type, atingiu rapidamente o ambicioso objetivo de se tornar um novo clássico. Assim, como em todo clássico, o design não envelhece (ou demora mais). Nesses anos, ganhou um discreto facelift, basicamente faróis full-LED, e ainda é atualíssimo, ainda torce pescoços nas ruas. Nada muito diferente do que fazem os principais rivais – Audi TTS, Porsche 718 Cayman e cia – mas, de certa forma, o Jaguar vai além.

Na cabine, saídas de ar que surgem “do nada”, se elevando do alto do painel quando se liga a ventilação, seguem sendo um charme. O espaço é limitado – além de motorista e passageiro, não cabe nem uma mochila –, mas o grande teto de vidro dá sensação de amplitude (pode ser fechado) e o acabamento é impecável, mesmo essa sendo uma versão “básica”. A tela multimídia é enorme, superwide e sensível ao toque, com interface belíssima, tanto dos sistemas quanto dos mapas, mas ainda fazem falta Android Auto e Apple CarPlay – há um sistema próprio que não é tão prático. O porta-malas de formato inusitado agora tem que vir com estepe bem no meio, reduzindo sua capacidade – mas ainda é adequado à proposta.

O painel de instrumentos é tradicional, com parte central multifunção configurável, e tanto o volante quanto os bancos têm ajuste elétrico, tornando fácil achar uma boa posição de dirigir – sempre baixa, como deve mesmo ser em um cupê esportivo. A visibilidade traseira ruim é compensada pelo monitor de ponto cego (pode-se optar só pelo alerta ou também pela interferência no volante). Há também assistente de manutenção em faixa, leitor de placas, alertas de colisão e de veículo na contramão e luz alta automática – fica devendo só o piloto automático adaptativo (ACC).

E como anda? No lugar do compressor mecânico, recurso mais tradicional da marca, há uma turbina de dupla voluta (twin scroll) que usa os gases de escape para sobrealimentar o motor 2.0 e fazê-lo chegar a 300 cv. Esse tipo de turbo reduz o lag, grande preocupação dos ingleses na mudança. Não que inexista, mas é pouco perceptível, principalmente com o câmbio no modo S e volante/motor no Dinâmico, selecionado por um botão bem ao lado da alavanca de câmbio – muito bem posicionada para quem as prefere no lugar das aletas de metal no volante (e com uma pegada muito boa; reduz para a frente, avança para trás). Há ainda a opção de trocas manuais entre as oito marchas, com rapidez invejável e acompanhadas de “soquinhos”.

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O desempenho não é de tirar o fôlego ou colar no banco, mas atende muito bem ao que se espera de um carro com um visual tão provocativo – 0-100 km/h em 5s7 e torque (40,8 kgfm) disponível na totalidade a apenas 1.500 rpm, e constante até 4.500 rpm. Em velocidades mais altas, quando o aerofólio traseiro sobe automaticamente, uma dose extra de potência cairia bem. Mas se você não está em uma autobahn, e sim em uma serrinha ou em uma estradinha travada, esse F-Type pode até acabar sendo mais divertido do que suas versões mais potentes. Explico: esse Jaguar tem chassi magnífico, com direção precisa e suspensões primorosas com sofisticado controle eletrônico, mas gosta de sair de traseira quando provocado, então menos potência pode significar mais controle – ou menos sustos e maior diversão. Você acaba usando mais o motor, trabalhando mais seus limites.

Já o ronco… bem, para um 4 cilindros até que ele é bom, mas não chega perto do que a Mercedes-AMG faz no seu A 45, por exemplo. É possível modificá-lo para mesmo no modo Normal ter o ronco “Dinâmico”, mas falta drama, falta escândalo. Ou talvez na verdade o problema seja compará-lo ao rasgante V6 de 380 cv do próprio F-Type – cuja sonoridade gerou discussões acaloradas sobre possível superioridade mesmo frente ao V8. A contrapartida está no preço e no consumo: na cidade fizemos 9 km/l e na estrada, 12,5. Nada mal para um legítimo esportivo inglês com esse visual e esse desempenho. Certamente um clássico para se ter na garagem. Mas, se puder pagar mais, prefira o V6.


Ficha técnica:

Jaguar F-Type R-Dynamic Coupé 2.0 Si4

Preço básico: R$ 339.929
Carro avaliado: R$ 339.929
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando variável, ajuste contínuo de válvulas, turbo twin-scroll, injeção direta, start-stop
Cilindrada: 1997 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 300 cv a 6.500 rpm
Torque: 40,8 kgfm de 1.500 a 4.500 rpm
Câmbio: automático sequencial, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensões: duplo triângulo (d/t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: traseira, LSD
Dimensões: 4,482 m (c), 1,923 m (l), 1,310 m (a)
Entre-eixos: 2,622 m
Pneus: 255/35 R20 (dianteiros) – 295/30 R20 (traseiros)
Porta-malas: 310 litros (408 litros até o vidro) – sem o estepe
Tanque: 63 litros
Peso: 1.525 kg
0-100 km/h: 5s7
Velocidade máxima: 250 km/h (limitada)
Consumo cidade: 7,8 km/l
Consumo estrada: 10,6 km/l
Emissão de CO²: 155 g/km
Nota do Inmetro: D
Classificação na categoria: D (Esportivo)

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Fonte: MOTORSHOW

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