5 melhores lugares para ver e dançar tango em Buenos Aires

De praças a grandes salões, de cafés a galpões, capital portenha tem tango quase a cada esquina

 

“Dança rioplatense, difundida internacionalmente, de casal enlaçado, forma musical binária e compasso de dois por quatro”. É assim que a Real Academia Espanhola tenta explicar o significado da palavra “tango”. No entanto, para os mais puristas, o tango não se define, “só se sente”.

A capital argentina se aproximou dos brasileiros nos últimos anos e se tornou uma das cidades mais visitadas pelos turistas do país no exterior. De acordo com a agência de viagens brasileira ViajaNet, Buenos Aires foi, de fato, o destino preferido fora do Brasil em 2016.

Para a empresa, as passagens aéreas baratas, a proximidade geográfica, a diferença cambial vantajosa do real perante o peso e o aspecto europeu da cidade, distinta das metrópoles do nosso país, instigaram mais turistas daqui a atravessar o Rio da Prata.

Em 2010, o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), órgão estatístico do governo argentino, publicou que cerca de 750 mil brasileiros visitaram a metrópole do país naquele ano. Foi o período mais intenso de viagens de turistas locais para a cidade. Em 2016, segundo o mesmo instituto, o número total de visitantes internacionais chegando aos dois principais aeroportos portenhos foi de 222,4 mil pessoas – a maioria brasileiros.

Outros dois fatores colaboram para o aumento do tráfego de brasileiros em Buenos Aires e em outras cidades argentinas nos próximos meses: o barateamento das passagens em junho, quando os preços médios dos bilhetes internacionais caem – de acordo com o ViajaNet -, e a desvalorização da moeda argentina no mês passado, que atrai turistas que podem pagar menos pelos mesmos serviços no país.

No Brasil, na semana seguinte à desvalorização do peso, alguns jornais passaram a enfatizar os preços mais em conta que os brasileiros iriam encontrar para viajar ao país vizinho. Como o real também sofreu quedas constantes no seu valor em relação do dólar, o impacto nas passagens aéreas não foi tão significativo, mas os custos para comer, se hospedar e se locomover na Argentina ficaram relativamente menores.

Seja como for, sugerimos cinco lugares na capital portenha para assistir, dançar ou ouvir tango – dos clássicos aos alternativos:

 

Niño Bien

Constitución

É uma milonga de profissionais que se reúnem às sextas. Seu nome se deve a um célebre tango de Víctor Soliño e Roberto Fontaina, que faz graça com os cantores e dançarinos (tanguistas) que possuem sintomas de grandeza. No Niño Bien, há todas as formalidades sobre a dança, desde o vestuário aos cuidados pessoais. O salão tem grandes dimensões, o que permite não apenas as apresentações como alguns horários para aulas. O jornal La Nación recomenda chegar cedo, por volta das 21h, para aproveitar os ensinamentos, ver o baile às 23h e, enfim, o auge da apresentação, à 1h.

 

La Catedral

Almagro

Espaço alternativo de tango no coração do bairro de Almagro, a milonga acontece em uma espécie de “galpão” do século XIX que foi recentemente reformado. Originalmente, funcionava ali um armazém de grãos, que foi substituído por uma fábrica de produtos lácteos e, em seguida, por um matadeiro de animais. Hoje, é parte do patrimônio artístico e turístico da região: tem três salões, um restaurante de comida vegetariana e pisos de madeira. Como quase todos os estabelecimentos, oferece aulas de tango e de folclore antes das apresentações, mas tem a especificidade de estar aberto todos os dias da semana a partir das 20h.

 

Café Tortoni

Centro

Clássico dos clássicos, o Tortoni oferece uma programação variada de tango. Tem dias para ver cantores, outros para dançar e outros para aprender com os professores. O jornal espanhol ABC, no entanto, afirmou em um texto de 2012 que o local vai além do ouvido: “a decoração e recordações sobre os poetas, cantores, presidentes e reis que por ali passaram dão um ar de museu”, escreveu. É, de fato, um lugar obrigatório dos turistas em Buenos Aires, e não à toa fica aberto até durante o dia: é possível almoçar no café ou entrar apenas para ver as peças à mostra. Pela fama, em alguns dias, é preciso fazer reserva antes de chegar.

 

La Viruta

Palermo

Para gastar as solas dos sapatos, os que sabem e os que querem aprender a dançar tango recorrem ao La Viruta, uma das milongas mais acessíveis para as pessoas. O estabelecimento tem aulas de tango, salsa e até rock para todas as idades. Só a partir da meia-noite que começam os espetáculos ao vivo, que permitem acesso apenas a maiores de 18 anos. Durante o dia, o La Viruta também funciona como um bar e um pequeno restaurante, quando é possível encontrar os dançarinos com roupas ainda informais.

 

La Glorieta de Belgrano

Belgrano

Por ser ao ar livre, a Glorieta de Belgrano só abre durante o verão portenho, entre janeiro e março, por causa do frio que acomete Buenos Aires no inverno. No entanto, ela tem uma outra atração significativa: a entrada é de graça. O tango acontece ali ao redor de um coreto de uma pequena praça de quinta a domingo, apesar de ser este último dia o mais visitado. O pequeno estabelecimento é frequentado por nativos e turistas, além dos alunos do conhecido professor Marcelo Salas, que dá aulas de milonga ali há 15 anos.

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