Rumos da economia brasileira para 2016

No final de 2015 a maior parte dos economistas considerava que 2016 seria um ano difícil, mas não pior que o anterior. Era o que se previa.

O início de 2016, passado o mês de janeiro, no entanto, nos mostra que teremos um ano ainda mais difícil que 2015, com a recessão se aprofundando e com o índice de desemprego subindo, o que nos leva a um circulo vicioso que não terá condições de promover a reativação econômica antes de terminado o ano.

A recessão prevista para este ano está na casa dos 3%, a inflação não dá sinais de retrocesso, os empresários estão com receio de investir e, assim, o clima de instabilidade e de incertezas permanece.

Aliado a tudo isso, vemos que qualquer mudança na economia também depende dos rumos políticos que a nação está tomando. E, pelo que vemos, a nação (ou melhor, os políticos) não está tomando o rumo que deveria.

A trégua do recesso de final de ano, que terminou no início de fevereiro, poderia ter sido o momento certo para desinflar egos e para que a consciência se voltasse para as necessidades macroeconômicas e, pelo que podemos observar, houve apenas um intervalo, como nas novelas de TV.

Passado o intervalo, a trama continua sórdida e mesquinha, com nossos dirigentes mais preocupados com a situação pessoal que eles mesmos criaram durante os anos passados e buscando uma forma de escapar de algo que os está perseguindo desde 2015, quando teve início a operação Lava Jato. Cada um quer salvar a própria pele, como se não tivessem responsabilidades com o direcionamento da nação.

O mês de janeiro trouxe o cenário mais aterrador do que poderíamos imaginar: queda na produção em praticamente todos os setores produtivos, queda nos serviços e queda na própria capacidade do brasileiro de buscar novos rumos.

Tivemos altas, sim, mas as altas negativas, com o dólar subindo um pouco mais, com o índice de desemprego aumentando e com os juros de cartões e de cheques especiais se tornando espaciais, estratosféricos.

Houve apenas um lado que lucrou com toda a parafernália criada pelos nossos políticos e pelo modo errôneo de conduzir a economia brasileira: as instituições financeiras privadas que anunciaram os maiores lucros dos últimos anos.

De forma contraditória, no entanto, as ações dos bancos que lucraram tiveram queda na bolsa de valores, levadas pelas projeções dos próprios bancos sobre a economia em 2016: estão reservando maiores valores para cobrir possíveis inadimplências. E esta é uma área em que haverá alta em 2016: muita gente, e em número maior do que em 2015, deixará de honrar com suas obrigações.

O que nos leva a pensar que somente um milagre poderá colocar novamente o Brasil nos trilhos. Mas esse milagre, certamente, não está sendo programado para 2016. A penitência que temos que pagar pelos pecados cometidos pelos nossos algozes (ou melhor, políticos) deverá durar até o final de 2016.

Quem sabe 2017 nos traga bons ventos. Pode ser essa a única esperança para o País.

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