RESENHA: Toda poesia

Toda Poesia (Dar créditos à arte1.band.uol.com.br)Conheça o volume que traça a trajetória do grande poeta que foi Paulo Leminski

Paulo Leminski foi corajoso o bastante para se equilibrar entre duas enormes onstruções que rivalizavam na década de 1970, quando publicava seus primeiros versos: a poesia concreta, de feição mais erudita e superinformada, e a lírica que florescia entre os jovens de vinte e poucos anos da chamada “geração mimeógrafo”. 
Ao conciliar a rigidez da construção formal e o mais genuíno coloquialismo, o autor praticou ao longo de sua vida um jogo de gato e rato com leitores e críticos. Se por um lado tinha pleno conhecimento do que se produzira de melhor na poesia – do Ocidente e do Oriente -, por outro parecia comprazer-se em mostrar um “à vontade” que não raro beirava o improviso, dando um nó na cabeça dos mais conservadores. Pura artimanha de um poeta consciente e dotado das melhores ferramentas para escrever versos.”

   Paulo Leminski é um dos autores que continua influenciando poetas e letristas das novas gerações. As pessoas que analisam, ou que apenas são admiradores de suas obras, sempre dizem que para levar tudo de melhor das obras de Paulo Leminski é preciso se deixar levar pela sensibilidade da leitura.

   O livro Toda Poesia passa com a mistura dos mais diversos poemas de Leminski, desde “desabafos” a declarações de amor para sua esposa, e também poeta Alice Ruiz (que preferia não ser chamada de poetisa).

   Para quem se interessa e não necessariamente tem afinidade ou costume de ler esse tipo de texto, é ainda assim uma leitura extremamente agradável. É notório também que para pessoas que vivem mais em um mundo de reflexão e que pensam fora da caixa – como o próprio Leminski – a leitura vai ser ainda mais agradável. E pode acontecer de muita gente se identificar com alguns poemas, como sempre acontece.

   Esse volume, de Toda Poesia, “Leminski 70 anos”, faz um “tour” pelas fases poéticas do autor. E clássicos com “Quarenta Clics”, por exemplo, que não estavam no catálogo, está a disposição dos leitores novamente.

   Para Leminski, a poesia é inútil, a palavra que ele usava para definir a poesia em seu ponto de vista era “inutensílio”. E sua explicação era que a poesia não tinha que ter um por que. Que a poesia faz parte daquelas coisas que não precisam de explicação e que são justamente a razão do viver. E é a mesma coisa de querer saber por que ficamos felizes quando  recebemos e o afeto e a amizade de alguém. Ou que um orgasmo tenha por que. Para Leminski a poesia faz parte das coisas que não precisam ter um por que. Como ele mesmo diz: “Pra que por quê?”.

   Então é por esse motivo que a leitura é sensível, porque cada um vai interpretar do seu jeito e cada verso vai cativar o leitor – ou não – a seu modo. Nasceu em Curituba, e era poética, jornalista, publicitário, ensaísta, tradutor, compositor, romancista e biógrafo. E também um leitor e completamente apaixonado por Haicais.

Créditos imagem* arte1.band.uol.com.br

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