Quem convoca as manifestações contra Dilma Rousseff?

Quando simpatizantes do governo tentam explicar as recentes manifestações populares que pedem a saída de Dilma Rousseff da presidência da República, geralmente eles responsabilizam dois entes: a oposição e a grande mídia. Inconformados com os resultados das últimas eleições, esses dois bodes expiatórios estariam, segundo a tese, agindo em conluio para derrubar a chefe do Executivo Federal de maneira “golpista” e “antidemocrática”. Porém, quem é bem informado e já gastou dez minutos para refletir sobre a questão, certamente está ciente da inconsistência desta explicação conspiratória.

Não que eu seja inocente a ponto de negligenciar os interesses políticos da imprensa. Eles existem e são investidos diariamente. O fato, porém, é que a grande mídia não tem (mais) essa força toda. Se a tivesse, seria muito mais coerente usá-la durante as eleições. Afinal, nenhuma instituição que dependa de credibilidade para sobreviver, arriscaria sua reputação incorrendo em uma estratégia tão barulhenta. O mesmo vale para a oposição: como ela conseguiu tamanho poder com as massas apenas um ano depois de perder as eleições? Por que ambas, mídia e oposição, não denunciaram de forma mais contundente as suspeitas de fraudes no processo eleitoral brasileiro?

O que estamos assistindo não são quaisquer manifestações: são as maiores da história do país. O principal motor que move esses milhões de pessoas às ruas é a insatisfação sincera e justa com o atual governo. Um governo que subiu ao poder com bandeira da ética e, hoje, é exposto pela Justiça como o protagonista de um dos piores escândalos de corrupção do mundo. Um governo que, a despeito de toda impopularidade e inconformismo, insiste em posar como representante legítimo do povo.

Se é para citar alguém que, com o seu trabalho, tenha influenciado a saída às ruas de boa parte dos cidadãos conscientes, essa pessoa se chama Olavo de Carvalho. Há 25 anos, o filósofo vem alertando sobre o perigo que representa a chegada do PT ao poder e previu, há mais de duas décadas, muitos dos acontecimentos verificados hoje na política nacional. Durante os protestos recentes, a expressão “Olavo Tem Razão” estava na boca do povo e estampada em faixas carregadas por manifestantes.

Dito isto, cabe aqui mais uma pergunta: se a grande mídia realmente estiver conspirando para tirar Dilma do poder através da manipulação das massas, por que não entrevistou Olavo de Carvalho antes das eleições? Por que não o faz agora? A resposta é simples: por medo de verem as entranhas de um esquema do qual fazem parte serem expostas em seus próprios domínios. O que está em jogo no país neste momento não é apenas a substituição de um governo por outro através de mecanismos com menor ou maior grau de legitimidade democrática. O que está em jogo é a permanência ou não da nova República.

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