Perigo à frente: Itália pode passar por outro arriscado referendo nos próximos meses

SÃO PAULO – Os italianos podem ter que ir às urnas mais cedo do que o esperado, e não será para eleger um novo governo após a renúncia do primeiro-ministro Matteo Renzi. O tribunal constitucional do país disse que vai avaliar o pedido do maior sindicato do país para um referendo sobre uma grande reforma trabalhista.

A decisão será anunciada no dia 11 de janeiro, mas as expectativas são de que haja assinaturas suficientes para desencadear um novo referendo no país. Neste cenário, com a chance de mais uma eleição popular, despertou mais preocupações sobre a estabilidade política e econômica do país. No início do mês, a população rejeitou um pacote de reformas constitucionais.

“A provável decisão de realizar um referendo sobre a reforma do mercado de trabalho aprovado sob o governo Renzi é uma notícia negativa, pois coloca em risco uma das leis mais importantes que a Itália aprovou nos últimos anos”, disse o Barclays em relatório. A reforma trabalhista foi um dos eventos mais emblemáticos do mandato do ex-primeiro-ministro.

De acordo com o Barclays, a revogação da lei relativa aos postos de trabalho significaria uma nova incerteza quanto aos custos de demissão, o que tornaria as empresas italianas menos dispostas a contratar trabalhadores com contratos permanentes. Se o tribunal constitucional aprovar o referendo, o atual governo interino só poderá atrasar a votação se convocar a antecipação das eleições.

“Uma vez que este referendo constitui um risco para o PD (Partido Democrata, liderado por Matteo Renzi), acredito que Renzi assegure que as eleições sejam realizadas na primavera deste ano, o que empurra o referendo e evita que ele ocorra até pelo menos 2018, eu acredito”, afirmou Erick Jones, professor de estudos europeus e economia política internacional da Universidade Johns Hopkins, para a CNBC.

Ele acredita que as eleições irão acontecer primeiro, para só depois que um novo governo tiver sido estabelecido um referendo sobre a reforma do mercado de trabalho será convocado. O Barclays, por sua vez, prevê que eleições ocorram no segundo trimestre do próximo ano.

Bandeira da Itália

Créditos: Infomoney

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