Microcefalia e a cultura da morte no STF

Entre tantas tragédias que se avolumam graças à inversão de valores difundida pelas ideologias que representam o atual governo, um processo se destaca pela gravidade de suas conseqüências: a escalada da cultura da morte. Não se trata do uso do termo morte como mera figura de linguagem, como ocorreria se o assunto fosse a corrupção, que ‘mata’ aos poucos a sociedade brasileira. Refiro-me, literalmente, à liberação do assassinato como ferramenta para ‘resolver’ determinados problemas indigestos que o próprio abandono dos valores civilizacionais vem acarretando.

O exemplo mais atual e eloquente da agenda de implantação da cultura da morte é a ‘solução mágica’ que apareceu tão logo os casos de microcefalia, que é causada pelo Zika Vírus, se tornaram questão de saúde pública: o aborto! A ‘brilhante’ estratégia foi defendida, olhem só, pelo ex-ministro da Saúde (!) do Governo Lula, José Gomes Temporão. Ele se posicionou favoravelmente à ação que deverá ser apreciada, em breve, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Os mesmos autores

O procedimento jurídico em questão é preparado pelo mesmo grupo de advogados que conseguiu a liberação do aborto em casos de anencefalia (desordem que resulta na ausência de grande porção do cérebro, do crânio e do escalpo). No caso particular desta patologia, a maioria dos bebês não sobrevive ao parto. Por isso, nos casos diagnosticados da doença, o STF concedeu à mulher o direito de interromper a gravidez.

A situação é diferente quanto à microcefalia. Neste caso, trata-se de uma condição neurológica em que a cabeça e o cérebro do bebê são menores do que o normal, porém são raros os casos de morte decorrente da doença. Além do mais, existem tratamentos capazes de melhorar a qualidade de vida da criança, havendo exemplos inclusive de brasileiros portadores da patologia que conseguiram concluir curso superior.

Mas, afinal, que estratégia é esta?

Na prática, esses movimentos significam o avanço das pautas de banalização do aborto. Basta verificar a natureza dos argumentos de seus defensores. Antes, no caso da anencefalia, o fato de serem nulas as chances de sobrevida da criança foi suficiente para que o Supremo desse às mães o direito de abortar. Agora, em relação à microcefalia, o que está se tentando obter junto à esfera máxima da Justiça brasileira é a concessão do direito ao aborto pelo fato da criança ter uma doença grave, mesmo sem oferecer necessariamente um risco à vida da mesma.  Não é necessária brilhante inteligência para perceber que a estratégia dos instaladores da cultura da morte é abrandar cada vez mais os critérios para o aborto até que esse crime contra a vida seja totalmente banalizado e liberado de forma geral.

O oportunismo da ONU

Aliás, a onda de Zika Vírus no país foi a oportunidade mais que perfeita para que entrasse em cena a Organização das Nações Unidas (ONU), que sempre interfere em questões de soberania nacional.  Na semana passada, sua porta-voz, Cecille Pouilly, se referindo à situação brasileira, lembrou que a entidade ‘globalista’ defende o aborto em casos de incesto, estupro, risco à saúde física e mental da mãe, além de bebês com deficiências consideradas graves. O argumento sempre se baseia nos chamados “direitos reprodutivos da mãe”. Porém, existe um direito maior que os defensores da cultura da morte sempre desconsideram: o direito à vida dos filhos.

Mais do que nunca, precisamos de cristãos conscientes que manifestem abertamente sua posição em favor da vida – antes que o STF aprove esta aberração e abra precedentes para outras ainda piores. Afinal, a verdadeira democracia emana diretamente do povo.

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