Micro e pequenas empresas recebem ajuda para exportar | Empreender

A Receita Federal apresentou, no início do mês, uma nova medida que vai facilitar a vida das micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional. A regra ajuda na desburocratização de alguns processos que, anteriormente, ficavam na mão dos empresários ou da única empresa que prestava essa assistência – os Correios, por meio do programa Exporta Fácil. Agora, o exemplo dos Correios foi melhorado e passa a valer como regra para todas as operadoras logísticas habilitadas pela Instrução Normativa.

A variedade de escolhas permite que os produtos brasileiros consigam vantagem competitiva no mercado externo, como explica o coordenador de acesso a mercados do Sebrae no Paraná, Marcos Uda. “Numa negociação de taxas do serviço logístico, o empresário pode avaliar qual é melhor para a característica do negócio dele, segundo o tipo de produto, volume, mercado e frequência de envio”. Ele também alerta sobre os ajustes que devem ser feitos para que as exportações funcionem corretamente. “Atualmente existe o perigo de dupla tributação quando o produto não chega com sucesso ao destinatário e acaba voltando para o Brasil”. Com a nova medida, o número de vendas para o exterior pode aumentar e detalhes como esses devem ser corrigidos para não gerar mais dificuldades do que a antiga burocracia.

Esse tipo de negócio ainda não é expressivo no Brasil. Hoje, menos de 0,8% das exportações do país são feitas por micro e pequenas empresas, mas esse número tende a aumentar. Além da nova regra, outros fatores contribuem para isso, como a elevação do PIB dos países da América Latina. “Se a gente não sabe se vai melhorar ou não aqui dentro, vale a pena exportar. Lá fora tem quem queira comprar, mas não tem um produto chegando até ele”, afirma Uda. Para o especialista, existem outras vantagens, como tornar o produto mais competitivo, a partir do comparativo feito pelos consumidores estrangeiros. Assim, se um concorrente de outro país lançar o seu produto no Brasil, o empresário já sabe que sua mercadoria está melhor. Além disso, os preços podem variar e trazer mais lucro do que o esperado. “Se você oferece algo exclusivo da sua região ou país, a demanda será maior e os investimentos para produzir em maior escala também, o que justifica o aumento do preço”, analisa.

Com essas medidas, o governo pretende que a participação das micro e pequenas empresas no mercado de exportações aumente para 5% em cinco anos. Alisson Sato quer ajudar o Brasil nesse número. O fundador da Qualinova, empresa de bebidas funcionais, começou suas atividades como empresário em 2009 e desde 2012 está se preparando para expandir as vendas para outros países. Ele começou fazendo contatos com potenciais clientes em feiras internacionais e se manteve sempre ativo nesse mercado: deu atenção a cada empresa que perguntou sobre o produto, enviou amostras e foi ágil ao providenciar a documentação. “Isso agilizava o registro dos produtos e a adequação às normas brasileiras”. A Qualinova já está pronta para enviar suas bebidas para o Paraguai, primeiro contrato de exportação fechado pela empresa. Agora, as próximas negociações visam o mercado nos Estados Unidos. Sato estima que, inicialmente, as vendas aumentem o faturamento entre 5% a 10% e ajudem a mostrar o Brasil como um fornecedor de produtos com valor agregado maior que o das commodities.

Para se tornar um exportador

Especialista do Sebrae apresenta os itens que devem ser seguidos antes de colocar uma empresa no mercado internacional:

Marca

– Os produtos mais exportados por pequenas e microempresas são aqueles não perecíveis e que de pequeno volume. É possível comercializar produtos orgânicos, como alimentos e plantas, mas preste atenção às regras da vigilância sanitária sobre exportação e importação.

– É preciso alinhar sua marca com o mercado internacional. Preste atenção na tradução para a outra língua. Já aconteceu de uma marca significar algo ofensivo no outro país e isso arruinou o negócio. É importante checar também se o nome está registrado corretamente.

Logística externa

– Para apresentar seu produto no exterior, o mais indicado é a contratação de traders, profissionais que representam seu negócio no outro país. A vantagem é que assim não é preciso deslocar uma equipe própria para essa função.

– Outro meio, mais recorrente hoje em dia, é o comercio eletrônico. Quem optar por um portal de vendas deve verificar se ele oferece orientação sobre certificação de barreira sanitária, fiscal e logística.

– Planejar a logística externa é escolher qual empresa vai fazer as entregas, negociar taxas, volume mínimo e via de exportação (marítimo, aéreo e terrestre). A dica é que a empresa arque com os custos do produto até a saída do Brasil e depois disso repasse os gastos para o preço final, que será pago pelo consumidor.

Logística interna

– Identificar qual a fatia da produção será destinada ao comércio exterior, que tipo de embalagem será usada e que outros meios garantem que o produto chegará em perfeito estado até o consumidor. Fazer um seguro para exportação é interessante para evitar complicações em caso de atrasos, taxas extras ou extravios.

Fluxo do dinheiro

– Como o cliente vai pagar? E como esse dinheiro vai chegar aqui? Tanto os representantes quantos os portais prestam essa orientação, mas é sempre bom questionar se você vai receber 100% do pagamento ou se terá alguma taxa maior por conta do produto ofertado.

– Verifique se o valor negociado está adequado para ser comercializado externamente. Inclua o planejamento logístico para ter dimensão de todo fluxo e custos envolvidos.

Prazos

– A exportação via ferramentas tradicionais é um processo de longo prazo, demora em torno de dois anos.

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Créditos: Gazeta do Povo

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