Largar ou não largar o emprego: eis a questão!

Todos aqueles dotados de espírito empreendedor encaram este desafio: sair ou não de suas prováveis “zonas de conforto”. E o que é mais interessante é observar que as histórias possuem traços bastante comuns que acabam caracterizando a personalidade do empreendedor.

Para se ter ideia, pense em quantos não são os casos de grandes nomes de sucesso que começaram dessa forma: estavam empregados, recebiam a faixa salarial da categoria em que atuavam e suas carreiras geravam uma “pseudo estabilidade” que logo acabavam experimentando a estranha sensação de vazio por não ter nada mais a conquistar.

Digo que é muito difícil encontrar um empreendedor que não tenha passado por isso, eu mesma me enquadro nessa situação. Atuei durante muito tempo na imprensa, em especial, no rádio até que um dia percebi que minha profissão não gerava mais a alegria e o entusiasmo que era típico…

Como muitos eu fui tomada de grande insatisfação de todos os âmbitos que se possa ter em um trabalho até que percebi que já tinha conquistado tudo que queria e que não havia mais nada a ser realizado ali.

Recentemente, li o caso de um microempresário que trabalhou muitos anos em uma empresa e, após ter realizado grandes proezas para a instituição que atuava viu que, as suas ideias não eram valorizadas e tudo que fizesse “não era mais do que sua obrigação”.

Quando isso acontece aliado ou não aos seguintes fatores: ausência de agradecimento aos seus esforços empregados; sofrimento com críticas, ofensas e humilhações por colegas ou superiores; ausência de propósito para a execução de seu trabalho e, para mim a mais cruel – perda total de vontade de ir trabalhar – é hora de constatar o óbvio: sua vida profissional exige mudança drástica e imediata!

Não quero mais essa vida vou mudar!

As mudanças são extremamente necessárias, caso o contrário, a vida seria por si só insuportável devido à monotonia. E como a vida é cíclica não há como (embora muitos conseguem com maestria) ficar parado.

Por mais tedioso que o seu emprego tenha se tornado você simplesmente não deve pedir demissão imediatamente, pois é preciso calcular os riscos que encontrará após a saída definitiva do trabalho.

Para mim, a prudência é uma palavra muito bonita que sempre cabe em qualquer situação e o melhor a se fazer é, antes de qualquer coisa, planejar o seu novo negócio, estudar o mercado o qual deseja ingressar, conhecer o seu público-alvo, dedicar um tempo exclusivamente ao seu novo projeto e, principalmente, separar uma boa reserva financeira para suprir as suas despesas pessoais e contas que deverá arcar da abertura e desenvolvimento financeiro de sua empresa – mesmo que seja o modelo de negócio perfeito ele não te dará retorno imediato e muitos especialistas recomendam uma reserva referente a 6 meses de gastos.

Há um tempo, conheci um caso em que um empreendedor trabalhava em uma grande empresa siderúrgica e, após anos de bons salários e estabilidade, entrou em acordo com a empresa para que o demitissem e, com o dinheiro começaria a trabalhar o seu sonho: abrir uma loja de brinquedos eletrônicos para crianças e adolescentes.

Logo que ele mencionou os seus planos foi altamente elogiado de “louco”, pois estava “trocando o certo pelo duvidoso”, mas ciente dos riscos que todo empreendimento possui, estudou, trabalhou com afinco e após 6 meses estava ganhando tanto quanto recebia no seu antigo emprego e logo depois o seu lucro entrou em escala crescente.

Comigo não foi diferente como também não é para você que já ingressou no maravilhoso mundo do empreendedorismo. Como no caso anterior, eu planejei financeiramente a minha reserva semestral, estudei (e ainda estudo o mercado) e pouco mais de 6 meses os frutos do meu projeto começaram a surgir e conto com eles desde então.

No início, ouvi de muitos amantes da “zona de conforto” angustiosas interrogações sobre: “Mas se você ficar doente, como será?”, “Isso é muito arriscado, é bom contar com um emprego em caso de um imprevisto você tem onde se apoiar”.

Para perguntas como essas as respostas são as mais simples: “Se você tem sua empresa devidamente regularizada, paga as tributações e cumpre com todas as obrigações legais terá o mesmo amparo do Governo como um funcionário comum, ou seja, contará com benefícios como auxílio-doença e maternidade e, quanto aos riscos só há uma coisa a se dizer, não existe estabilidade em nenhum modelo de trabalho, todos estão sujeitos a riscos e mudanças, a diferença é que quando você é funcionário fica “na mão do empregador” e quando você é o proprietário do seu negócio a responsabilidade é exclusivamente sua”.

E te garanto uma coisa: Só há perigo quando não existem planejamento e organização administrativa no negócio. Quando você sabe dar um passo a frente e firme o caminho se torna sólido ou, em outras palavras, sonhe e se arrisque, mas não tire os pés do chão. E, quanto à questão desse artigo o meu conselho é: planeje e só saia do seu emprego se puder contar com a reserva semestral, enquanto não puder, continue trabalhando e poupando para que no momento mais oportuno possa pedir a demissão e se dedicar totalmente ao seu negócio. Boa sorte!

Gau Figueirêdo
Bacharel em Filosofia, Microempresária e Redatora.
Contribuo, aqui, no “Jornais Virtuais” todos os domingos nas colunas: Empreendedorismo e Sociedades
Meu blog “http://reflexosmentais.wordpress.com/”
Gau Figueirêdo

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Bacharel em Filosofia, Microempresária e Redatora. Contribuo, aqui, no "Jornais Virtuais" todos os domingos nas colunas: Empreendedorismo e Sociedades Meu blog "http://reflexosmentais.wordpress.com/"

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