Greve contra pacote de ajuste fiscal é inoportuna, diz governador do RS – 14/12/2016 – Mercado

Em meio a um ajuste fiscal e ameaas de greve, o governador do Rio Grande do Sul, Jos Ivo Sartori (PMDB), afirma que as medidas adotadas pelo Estado esto “acima de poltica ou ideologia” e que este o momento de “superar individualismos”.

“Governar tambm contrariar interesses”, disse o governador, para quem as greves contra o pacote que corta secretarias e demite funcionrios so “inoportunas e fora de foco”.

Nesta tera (13), professores estaduais paralisaram as atividades e outras categorias ameaam parar. A reforma deve ser votada pela Assembleia na semana que vem.

A poucos dias do fim do ano, o Estado ainda no sabe de onde sair o dinheiro para pagar o 13 salrio. Nesta quarta-feira (14), Sartori e os governadores do Rio, Luiz Fernando Pezo (PMDB), e de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), vo a Braslia para pressionar o governo federal a ajudar os Estados.

Questionado se faltou gesto ao Estado, Sartori afirmou que “no olha para trs, quer olhar para a frente”.

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Folha – Os professores estaduais anunciaram paralisao, e outras categorias ameaam parar. um mau momento para fazer ajuste fiscal?

Jos Ivo Sartori – um momento inoportuno, inadequado e fora de foco para as greves. O ajuste necessrio. Do jeito que est, no poderia ficar. E isso no de agora. O Estado, ao longo de sua histria, sempre esteve voltado para si mesmo, e no olhou para a sociedade. Em 45 anos, o Rio Grande do Sul teve superavit em apenas sete. Esta no uma questo poltica ou ideolgica. uma luta incessante para o equilbrio financeiro do Estado. evidente que isso gera sacrifcios, e os sacrifcios tero que ser compartilhados.

D para impor um ajuste fiscal numa situao de cada vez mais demanda por servios pblicos? Como explicar isso para a populao?

A gente explica dizendo que, se no fizermos isso, no teremos recursos para a sade, segurana, educao.

O sr. tem dito que preciso rever o papel do Estado. Mas a Constituio prev uma srie de obrigaes. O Estado de direitos acabou?

No, em absoluto. Mas temos que superar individualismos e observar a intranquilidade do pas. Ns estamos vivendo uma crise econmica e social sem precedentes. preciso ver o que a sociedade suporta pagar. O Estado tem que trabalhar para ter equilbrio financeiro, seno no vai conseguir prestar servios. Eu sempre digo: isso tudo est sendo feito para termos mais dinheiro para as polticas sociais, para a populao que mais precisa. Ns sabemos quais so as prioridades.

Os juzes estaduais tiveram uma reao forte ao pacote e argumentam que vo perder a autonomia. O sr. concorda?

Tanto o Poder Legislativo quanto o Tribunal de Justia, no momento em que precisamos, sempre colaboraram. Agora, evidente que tem aqui ou acol outro desejo. Mas preciso que esse sacrifcio seja compartilhado.

Eles dizem que fizeram sua parte em termos de gesto, e o Executivo, no. Faltou competncia ao governo gacho?

No posso avaliar a histria. No sou daqueles que olham para trs. Quero olhar para a frente. Vou cumprir com meu papel. Em todo o perodo eleitoral disse em alto e bom som que iria fazer o que precisa ser feito. E tenho convico de que estou fazendo.

As medidas que o sr. vem propondo so impopulares…

Eu tenho certeza que a maioria da sociedade est apoiando. Agora, alguns interesses contrariados sempre vo existir. E governar tambm contrariar interesses.

No suicdio poltico?

O dia em que estiver pensando na prxima eleio, no cumprirei o meu papel de governante. A reao da populao muito positiva. A maior dificuldade no mundo interno do Poder pblico.

Alm do Rio Grande do Sul, Estados como Minas Gerais e Rio vivem uma grave crise financeira. A Lei de Responsabilidade Fiscal no deu certo?

Ns estamos fazendo nosso dever de casa. Mas acho que faltou atacar muita coisa. Ningum se deu conta de que um dia iam faltar recursos. Agora, o Poder pblico tem que se refazer.

H temor de que a Assembleia gacha tambm seja invadida por manifestantes, como ocorreu em outros Estados?

No vou provocar situao nenhuma. Ns cumprimos nosso papel institucional e vamos continuar fazendo nossa parte. Quanto aos outros, quem participa dos movimentos, espero que tenham serenidade e tranquilidade.

Ainda no h previso para o pagamento do 13?

Sem previso. No ano passado, recorremos ao Banrisul [banco estadual, que fez emprstimos para o pagamento dos salrios]. Mas desta vez no podemos mais, porque o Estado no tem o que oferecer nessa negociao.

Créditos:

Folha

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