Frustrações são tantas…

Noutro dia, assisti a um programa de TV onde quatro jornalistas, dois homens e duas mulheres falavam de Frustrações. E são tantas e tão presentes em nossa vida, que se chegou à conclusão de que o ser humano é, por princípio, um sujeito frustrado.

Começando pelo enorme susto que leva ao nascer, deixando para trás o conforto, o acolhimento, o alimento, enfim, o bem-bom onde estava tão bem instalado e acostumado, o útero de sua mãe que o cuidava tão bem, para explodir num outro ambiente, cheio de cheiros, vozes, desconforto, insegurança e solidão. Solidão, sim, porque ele nada entende das caretas, dos sons que emitem aqueles seres que estão ao seu redor. E isso o acompanha.

Mas ele sente mais, sente fome, sede, não gosta de certas mãos mais pesadas que o seguram. Puxa! Estava tão bom onde eu estava, diria ele.

Esta, talvez seja a primeira grande frustração que o ser humano sente. Depois, começam todas as outras que vão segui-lo por toda a vida, quando começa a tentar entender que lugar é esse.

Depois, quando finalmente o entende, vai descobrir que ficar frustrado faz parte do ser que ele é. Então, começam as explicações que se busca para cada frustração, tentando sempre colocar a “culpa” fora, porque assim fica mais confortável.

O resumo da história é que nós somos todos frustrados, o que não tão mal assim, porque fazemos parte de um grupo chamado Humanidade e com isso, menos solitários. Logo em seguida, vamos ver que a grande sabedoria vai ser lidar com esse sentimento sempre que ele nos cercar. Não vejo remédio, a não ser a bendita compreensão do que está acontecendo e não o porquê está acontecendo, porque para isso não há nenhuma explicação. Essa busca incessante não se explica, simplesmente porque ela faz parte da vida e não dá pra correr dela.

Estamos sempre tentando colocar alguma coisa para ocupar algum espaço que está vazio, seja a falta da mãe, do pai, do carinho, do trabalho, de alguma coisa, enfim, que não nos chegou perto por algum motivo. Repare nos jovens de hoje, talvez mais frustrados do que foram seus pais ou avós, ou não, porque eles descobrem e a tecnologia e a ciência estão aí para isso, sim, eles descobrem paliativos para que nunca fiquem sozinhos consigo mesmo. Eles não se dão tempo porque têm nas mãos, celulares, tablets, todos os eletrônicos que estejam acessíveis. O que não querem é se permitir ver o que realmente está faltando. Isto talvez fosse muito frustrante!

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