Erros, narcisismo e politicagem: ex-funcionários falam do Google

Frequentemente eleita uma das melhores empresas para trabalhar no mundo, a gigante de tecnologia também tem, sim, seus críticos; veja relatos

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Da redação

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14 dez 2016, 18h13 – Atualizado em 14 dez 2016, 19h09

Presente em dez a cada dez pesquisas de melhores empresas para trabalhar, o Google construiu uma imagem do ‘paraíso na terra corporativa’ com seus escritórios coloridos e joviais, horários flexíveis e bons salários. Na pesquisa mais recente sobre o tema realizada nos Estados Unidos, a empresa figurou em quarto lugar. A crença, contudo, pode não ser tão realista assim, e mostra que toda utopia tem lá seus problemas.

Funcionários e ex-funcionários da empresa nos EUA reuniram-se (virtualmente, é claro, e às vezes de forma anônima) para apontar os problemas da gigante de tecnologia, sonho de consumo de trabalhadores do mundo todo. A despeito dos prêmios recebidos como empregador, o Google não deixa de ser alvo também de ácidas críticas de alguns de seus ex-colaboradores, como relata o site Business Insider.

Confira alguns depoimentos recolhidos do site Quora, que reúne os pensamentos:

O Google é tão grande que pode te contratar graças a um erro – “Eu fui contactado pelo Google para um cargo de gerência. No mesmo momento em que fui contratado, outra pessoa, com o mesmo nome que o meu, também foi. Em algum ponto ao longo do processo, o RH errou feio, e quando eu comecei, eu estava em uma posição muito diferente da prometida, que teria sido oferecida para a outra pessoa.” (Anônimo)

A gerência é perigosamente política – “A parte mais política da empresa é a gerência e recrutamento. Para conseguir um aumento, você precisa começar as relações com um ano de antecedência.” (Anônimo)

Projetos podem ser interrompidos de maneira arbitrária o tempo todo – “A pior parte, para mim, é ver tantos projetos sendo cancelados arbitrariamente. Além disso, as pessoas que estavam envolvidas nesses projetos têm pedidos de promoção negados por terem falhado justamente nesses projetos.” (Anônimo)

Tudo tem de ser grande – “A coisa mais frustrante é que tudo tem que ser dimensionado no lançamento. Você não tem a oportunidade de experimentar e, depois, crescer. O Facebook, por exemplo, começou em Harvard e lentamente cresceu para o público. Já o Orkut [surgido no Google] não teve a mesma oportunidade e sofreu com problemas de escala desde o primeiro dia.” (Piaw Na, empregado do Google)

Legal para os amigos, difícil para o trabalhador – “Eu trabalhei no Google, e aquele era o lugar mais legal que eu poderia mostrar para meus amigos. O chefe parecia informal e relaxado, mas só parecia. Se você não prestasse a atenção necessária em suas dicas e suas ‘sugestões descoladas’, ia entrar em apuros.” (Anônimo)

Narcisismo e autossuficiência – “É muito difícil discutir qualquer assunto com alguém a não ser que você esteja falando com um amigo (…) Discussões objetivas são raras, já que todo mundo quer defender seu território e não está interessado em opiniões de outras pessoas – a não ser que essas pessoas sejam ‘Deuses Importantes’” (Vlad Patryshev, ex-engenheiro de software)

Ninguém acredita quando você diz que a empresa não é assim tão legal – “Quando as pessoas te perguntam se você ainda trabalha no Google, elas não querem ouvir nada que não seja total entusiasmo, relatos de quão sortudo você é por estar na empresa e do quanto você quer continuar nela. Se você decide sair ou não tiver outra coisa que não seja arco-íris e pôneis para falar sobre a companhia, praticamente todo mundo – da minha mãe ao motorista de táxi – exige uma explicação sobre isso.” (Katy Levison, ex-engenheira de software)

Eles te dão tudo o que você quer, menos o que de fato importa – “Basicamente, você passa a maior parte do tempo comendo comida Google, com colegas Google, usando tecnologias Google, enviando e-mails Google a partir de telefones Google (…) Tudo reforça a ideia de que você seria maluco de querer estar em qualquer outro lugar (…), mas isso te custa as únicas coisas que, no fim das contas, de fato importam.” (Joe Canella, ex-funcionário)

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