Economia descendo a ladeira

Enquanto os políticos fazem-se de desentendidos com relação à economia nacional em Brasília, o restante do Brasil parece ser uma locomotiva movida pela gravidade, descendo constantemente uma ladeira sem fim.

No último mês de janeiro, segundo os dados divulgados recentemente, os brasileiros deixaram 62% a menos de dinheiro no exterior do que no mesmo mês do ano passado, o que vem nos mostrar que a alta do dólar e falta de dinheiro interno está impedindo que o consumo seja retomado.

Evidentemente, esperava-se que, como se trata de um mês de férias, quando os brasileiros se transformam em turistas, que o dinheiro fosse gasto internamente, com o turismo pelo litoral e pelas cidades do interior, mas isso também não ocorreu.

O que mostra que o brasileiro está sentindo no bolso o peso de uma inflação sem controle, com juros exorbitantes, chegando a estratosféricos 400%, quando falamos em cartão de crédito, e a 200% no cheque especial.

E, em se falando em cheque especial, o mês de janeiro bateu um novo recorde, desta vez em devolução de cheques sem fundos, em todos os bancos brasileiros. Evidentemente, esses são cheques especiais, o que mostra que os brasileiros se utilizaram do crédito disponibilizado pelos bancos e estão literalmente enfiados na dívida.

Enquanto isso, vemos a grande manchete no “Estadão”: “Dilma cava um buraco maior”. Não se trata de impressão: trata-se de uma verdade quando dizemos que estamos desgovernados, uma nau sem rumo, que poderá soçobrar em pouco tempo.

O corte de gasto anunciado pelo governo, de apenas 23, 41 bilhões de reais, mostra que teremos ainda um ano ruim para o Tesouro, o que indica que o governo federal irá se endividar mais ainda.

Ao mesmo tempo, estamos nos sentindo na confluência de diversos túneis. De um lado, o túnel mais perigoso para o governo, mas sendo um alento para o povo brasileiro, a operação Lava Jato que, mais uma vez, está se acercando de sua meta, embora não nos mostre uma luz no seu final.

De outro lado, o túnel da inflação, que apresenta uma prévia de aceleração para o mês de fevereiro, podendo chegar a 1,5%, sem mostras de querer ser reduzida.

Ao mesmo tempo, nos deparamos com um túnel de intrigas, promovidas pelas constantes ameaças e pelo eterno conflito entre os poderes legislativo e executivo, antevendo trevas para o futuro de uma governabilidade inexistente.

Enquanto viramos chacota para o mundo, que não nos veem como país sério, ainda temos a desagradável notícia de que a nota de crédito do Brasil foi rebaixada pela segunda vez pela agência Standard & Poor’s que, não contente com sua avaliação anterior, considerou por bem nos colocar abaixo da linha de avaliação de risco, praticamente nos considerando caloteiros.

As projeções da agência dão conta de que as contas brasileiras terão déficit primário de 1,3% do PIB em 2016, não ultrapassando o valor negativo nem em 2017, quando a previsão é de déficit primário e 0,7% do PIB.

A certeza é única: fincada no jogo de interesses, a presidente e o governo estarão gastando ainda mais nos próximos anos, sem se preocupar com o futuro, olhando apenas o umbigo e se esquecendo que está destruindo a economia nacional.

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