De copo cheio: empresário conta como largou os bancos para investir em cerveja

SÃO PAULO – Poucos são os brasileiros que não se rendem a uma cervejinha no churrasco de domingo ou na mesa de um bar na sexta-feira depois do trabalho. A bebida é a preferida de dois em cada três brasileiros, segundo uma pesquisa do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) e, só em 2013, foram consumidos 13 bilhões de litros de cerveja no País.

Além disso, informações da Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas da Receita Federal) revelam que na última década, a produção de cerveja no Brasil cresceu 64%, passando de 8,2 bilhões para 13,4 bilhões de litros anuais. Tanto que o País é o terceiro maior produtor do mundo, atrás somente dos Estados Unidos e China.

O paladar dos consumidores para cerveja também mudou ao longo dos anos. Pesquisas mostram que o consumo de cervejas consideradas premium subiu. Dados do Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja) indicam que o segmento aumentou de 2% para 5% a participação no consumo total de cervejas no Brasil e movimenta R$ 300 milhões anualmente.

Ainda assim, está bem longe de atingir países como Alemanha e Reino Unido, cujo consumo da bebida especial é de 48,4% e 28,3%, respectivamente. O que revela o quando o Brasil pode crescer neste setor.

São consideradas cervejas premium aquelas que levam 100% de malte em sua composição – no País, a cerveja é considerada legalmente cerveja quando possui, no mínimo, 55% de cereais maltados –, além disso, nas cervejas especiais, tudo é feito de forma artesanal e o tempo de produção sempre é respeitado para garantir o melhor produto.

Foi percebendo o crescimento desse nicho que o apreciador de cervejas Fabiano Wohlers viu um potencial e criou a marca Mr. Beer, uma rede de franquias de cervejas especiais.

O sócio fundador conta que a ideia surgiu, literalmente, em uma mesa de bar. Wohlers e o seu sócio já gostavam de provar a bebida premium e, após se cansarem de trabalhar no mercado financeiro, decidiram investir em um negócio de cervejas.

Foi fundado, então, em 2009, o primeiro quiosque de cervejas especiais da Mr. Beer no Shopping Ibirapuera. “O primeiro formato foi o quiosque porque ele é mais barato e tem maior mobilidade e visibilidade”, explica o empresário.

A novidade atraiu tanto clientes quanto pessoas interessadas em abrir uma unidade da marca. Por isso, pouco tempo depois, a empresa deixou de lado os pontos próprios para operar o modelo de franquia. Hoje são 83 lojas – que demandam um investimento entre R$ 79 mil e R$ 200 mil – em funcionamento espalhadas em quase todos os estados brasileiros e a meta é que a empresa chegue a 110 unidades ainda em 2015.

Para Wohlers, o segmento de cervejas especiais ainda é baixo, sendo que o consumo maior é em capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, mas as pessoas já estão, de forma geral, mais familiarizada com o segmento premium.

O mercado nas regiões como Norte e Nordeste é mais difícil de entrar, mesmo assim a empresa pretende expandir. “A gente gasta mais saliva para vender, mas tanto as cidades do interior, como as outras regiões do País, oferecem muitas oportunidades de crescimento”, afirma o empresário, que lembra que o público mais velho ainda prefere as cervejas de mainstream. Por outro lado, as mulheres se mostraram adeptas às cervejas especiais.

Para atrair o público, a empresa investe em degustações. Em 2011 foram criados espaços gourmet, que são destinados à harmonização de cervejas especiais com petiscos criados pela rede de padarias Benjamin Abrahão  a maioria dos itens do cardápio foi criada com ingredientes usados na produção das próprias cervejas, como cevada e lúpulo.

A Mr. Beer conta com mais de 400 rótulos de cervejas, sendo 100 deles de comercialização exclusiva da companhia. Do total, 70% dos rótulos são importados e o restante nacional. Além disso, 13 marcas são de produção própria, como a Tereza e a Santa Muete.

No ano passado, a rede faturou R$ 60 milhões e prevê fechar 2015 com um aumento de 10% no faturamento. Outra intenção para este ano é o investimento em cervejas “exóticas” e mais encorpadas. Entre as novidades está a cerveja sem glúten da marca belga Brunehaut. 

Fabiano Wohlers_Mr. Beer

Créditos: Infomoney

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