Bovespa cai com expectativas de novas altas de juros nos EUA

SÃO PAULO  –  Os investidores passaram o pregão à espera da decisão do Fed, o banco central americano, sobre a taxa de juros. O Fed subiu os juros em 0,25 ponto percentual para entre 0,50% e 0,75% ao ano. A decisão já era esperada pela maior parte dos analistas econômicos. Uma elevação dos juros americanos não costuma favorecer o investimento em países emergentes.

Mas o que chamou a atenção dos investidores foi a disposição do Fed de subir com mais intensidade os juros no próximo ano. A avaliação de Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, é de que essa decisão já seria consequência de possíveis cortes de impostos na gestão de Donald Trump. “É uma percepção de que o programa de expansão da economia vai crescer no próximo ano”, diz.

Para ele, a elevação dos juros americanos não será favorável aos países emergentes. “Apesar de as altas na taxa de juros poder ser gradual, com certeza vai mudar o fluxo de investimentos para os países emergentes”, diz. Segundo o analista, diante do fato de que o próximo ano terá um baixo crescimento econômico no Brasil, o governo terá de redobrar os esforços na aprovação as reformas estruturais, o que também pode favorecer o mercado de capitais.

O Ibovespa fechou em baixa de 1,80% aos 58.212 pontos, em um dia que também foi de vencimento de opções sobre o índice. A média das operações realizadas entre às 15h e às 18h vai definir a taxa de ajuste das operações. “Quem fez mais negócios hoje foram os profissionais que fazem operações no giro diário”, diz Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da H.Commor DTVM.

A crise política ainda preocupa os investidores, mas a saída de José Yunes do cargo de assessor especial no Palácio do Planalto trouxe alívio. “Mostra que o governo está se livrando do que pode trazer problemas”, diz um operador. Yunes foi citado na delação do ex-diretor da Odebrecht Claudio Melo Filho como receptor de recursos, em dinheiro vivo, para a campanha eleitoral de Michel Temer, em 2014.

Entre as ações mais negociadas, apenas três fecharam em alta, os papéis PNA da Suzano Papel e Celulose, que subiram 2,86%, seguidos pelas ações da Klabin com alta de 2,41% e os papéis da Fibria, com valorização de 1,17%.

As maiores quedas do dia ficaram com os papéis da Kroton, que caíram 6,87%, seguidas pelas ações da Estácio, com baixa de 6,80%. As duas ações corrigem as altas de ontem depois que Ministério da Educação prorrogou para 30 de dezembro o prazo para renovação semestral dos contratos de financiamento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

As ações da Vale fecharam em baixa, acompanhando a queda na cotação do minério de ferro, que caiu 5% no Porto de Qingdao, na China, e ficou em US$ 79,18 a tonelada. Os papéis PNA da empresa recuaram 2,19% e as ações ordinárias tiveram baixa de 1,59%. As ações das demais empresas de siderurgia também fecharam em baixa. Os papéis da Gerdau Metalúrgica recuaram 7,01%, as ações da Gerdau tiveram baixa de 6,76%, as ações da Usiminas recuaram 2,78%.

Os papéis da Petrobras também fecharam em baixa, seguindo a desvalorização do preço do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais recuaram 4,60% e os papéis ordinários tiveram baixa de 3,51%.

O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 6,7 bilhões.

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Valor

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