BB dispara 4% e Smiles desaba após anúncio do governo; holding da Gerdau salta 9%

SÃO PAULO – O Ibovespa sofreu uma forte reviravolta na tarde desta quinta-feira (15), entre virada repentina das commodities e pacote de estímulos anunciado pelo governo, que fez disparar as ações do Banco do Brasil. Com isso, o índice, que entrou mais cedo em “zona de perigo” após perder os 58.000 pontos, subiu 0,32% nesta sessão, fechando aos 58.396 pontos. 

Por outro lado, as medidas pegaram em cheio as ações da Cielo, que afundaram 6% e fecharam como a maior queda do Ibovespa, além das empresas de programas de fidelidade Smiles e Multiplus, que caíram mais de 4%. 

No caso das commodities, a virada veio mais cedo, antes das 17h (horário de Brasília, quando ocorreu o anúncio do governo. A Vale teve sua primeira sessão de ganhos, após cinco quedas seguidas, em meio às preocupações do mercado com o rali do minério. Enquanto isso, a Gerdau disparou 5% e a Metalúrgica Gerdau subiu 9%, após uma “luz no fim do túnel” com um relatório do BTG Pactual. Mais cedo, o banco comentou que o “sell-off” visto nos papéis da companhia nos últimos dias era “exagerado”.

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 26,25,  +3,84%)
As ações do Banco do Brasil dispararam após o anúncio de medidas pelo governo. Em destaque entre as medidas, está a distribuição do resultado do FGTS para os trabalhadores. Quando houver lucros, uma parte continuará depositada, e a outra metade será disponibilizada para o trabalhador pagar dívidas. Outra medida é a regulamentação da Letra Imobiliária Garantida, instrumento de captação para crédito imobiliário, com objetivo de ampliar a oferta de crédito de longo prazo para a construção civil.

Os demais bancos grandes fecharam entre perdas e ganhos: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,45, -0,40%), Bradesco (BBDC4, R$ 27,55, +0,33%) e Santander (SANB11, R$ 26,07, +1,20%).

Petrobras (PETR3, R$ 17,43, -0,91%;PETR4, R$ 14,85, +0,75%)
As ações da Petrobras registraram movimentos opostos de olho nos preços do petróleo. O dia começou com alta para a commodity, mas logo o preço virou para baixo, com o mercado repercutindo a decisão do Fomc, mas amenizou a baixa. Os contratos do Brent registravam alta de 0,28%, a US$ 54,06 o barril, enquanto o WTI recuava 0,24%, a US$ 50,92 o barril.  

No noticiário da estatal, a companhia informou ontem que atingiu a marca histórica de 1 bilhão de barris de petróleo produzidos no pré-sal. “Essa produção acumulada ocorre apenas seis anos após a entrada do primeiro sistema de produção na Bacia de Santos, no campo de Lula, e dez anos após a primeira descoberta em 2006, e demonstra a capacidade técnica e de realização da companhia”, disse a companhia em comunicado.

Comparando com outras importantes áreas petrolíferas do mundo, na porção americana do Golfo do México, esse patamar foi atingido 14 anos após o início da produção comercial e, no Mar do Norte, em oito anos. No Brasil, esse mesmo patamar só foi atingido na Bacia de Campos depois de 15 anos de produção comercial.

Ainda no radar da companhia, a Câmara de Arbitragem da Bovespa abriu processo para analisar o pedido de ressarcimento de prejuízo que 40 fundos de investimento dos Estados Unidos, donos de cerca de R$ 1,5 bilhão em ações preferenciais e ordinárias da Petrobras, alegam ter tido com os casos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato. Segundo uma fonte nos EUA ouvida pelo Broadcast, serviço de informação em tempo real do Grupo Estado, os investidores estimam prejuízo de US$ 2 bilhões.

Esse grupo foi obrigado a recorrer à arbitragem por imposição da Justiça norte-americana, que se limitou a julgar o pedido de compensação feito por donos de ações adquiridas na Bolsa de Nova York, as ADRs. Os demais devem cumprir o previsto no estatuto social da Petrobrás, de que toda contestação de acionistas seja levada à Câmara de Arbitragem da Bovespa.

Vale (VALE3, R$ 28,23, +1,26%; VALE5, R$ 25,04, +1,79%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 15,24, +4,10%) – holding que detém participação na mineradora -, que abriram em queda, viraram para alta nesta tarde, com reviravolta no mercado brasileiro. Hoje, o minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao, na China, com 62% de pureza, fechou em alta de 2,93%, a US$ 81,50 a tonelada. 

Gerdau (GGBR4, R$ 11,45, +5,05%)
Após queda de mais de 2% mais cedo, as ações da Gerdau teve virada repentina nesta tarde, deixando para trás cinco pregões seguidos de perdas. A reação ocorre na esteira de 
um relatório divulgado nesta manhã pelo BTG Pactual, que alertou para “sell-off exagerado” na ação. Os analistas reiteram a recomendação de compra e preço-alvo de R$ 16 para o ativo. As demais siderúrgicas da Bolsa também viraram: Usiminas (USIM5, R$ 4,05, +5,19%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,91, +8,87%) e CSN (CSNA3, R$ 10,93, +3,02%). 

“As expectativas são de que a Gerdau apresente um quarto trimestre muito fraco (mais fraco do que a sazonalidade típica sugeriria), e as ações têm registrado um sell-off muito significativo recentemente (queda de 25% em relação às altas recentes). Na verdade, a empresa perdeu cerca de R$ 4,8 bilhões em valor de mercado, o que consideramos um tanto exagerado, apesar de reconhecer que isso poderia ser visto como uma oportunidade ‘perfeita’ para obter lucros”, avaliam os analistas do banco.

Braskem (BRKM5, R$ 33,40, +1,09%)
Descolando do dia negativo do mercado, as ações da Braskem dispararam até 5,05%, a R$ 34,71, na abertura deste pregão e baterem suas máximas históricas, após a companhia celebrar um acordo de leniência com o MPF (Ministério Público Federal) no âmbito da Operação Lava Jato. Contudo, os ativos diminuíram os ganhos durante a sessão. Pelo termos acordados, a companhia pagará às autoridades competentes, a título de multa e indenização, o valor total de aproximadamente US$ 957 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 3,1 bilhões. O montante é 11,7% do valor de mercado da companhia hoje, que está em R$ 26,3 bilhões, segundo dados da BM&FBovespa.

Analistas dão cinco motivos para explicar o movimento. Multa menor que a esperada: o Bank of America Merrill Lynch elevou o preço-alvo da ação de R$ 42,00 para R$ 45,00 e das ADRs de US$ 21 para US$ 23, após o valor das multas ficar abaixo do estimado anteriormente. Maior regulação: O relatório do BofA também ressalta que o acordo prevê que a empresa será acompanhada por auditores externos por um período de tempo indeterminado, além de ser obrigada a fortalecer seu sistema interno de compliance;

Fim das incertezas: Para o UBS, as incertezas sobre a Braskem podem ter acabado e não há mais obstáculos no caminho, o que permitirá que as ações sejam negociadas com base em fundamentos. “Acreditamos que os fundamentos da Braskem são fortes o suficiente para sustentar pelo menos múltiplos em níveis históricos. Segundo o banco, em decorrência da Operação Lava Jato, o múltiplo EV/Ebitda recuou a 4,1 vezes, o que representa um desconto de 25% ante a média histórica de 5,5 vezes; 

Momento positivo: o UBS estima que o múltiplo chegue a 6,0 vezes considerando que sua alavancagem está controlada, que seu rating corporativo está acima do soberano brasileiro, que as fontes de matérias-primas estão mais diversificadas e que a empresa está menos dependente do mercado do Brasil, já que a projeto no México está mais avançado.

 Percepção dos investidores: Na mesma linha, o BTG Pactual elevou o preço-alvo da ação para R$ 35,00 e manteve o rating da companhia em neutro. Segundo o BTG, os efeitos do acordo podem ser ainda positivos que o novo preço-alvo sugere. “A Braskem está atualmente em um ótimo momento de seu ciclo e, dependendo da percepção dos investidores da duração deste ciclo, podemos ver uma percepção de valor muito maior entre os investidores”, diz o relatório.

Oi (OIBR3, R$ 2,88, -1,03%OIBR4, R$ 2,46, +0,82%)
As ações viraram para a queda após dispararem mais cedo. De acordo com a Bloomberg, a companhia telefônica 
recebe nesta semana proposta de detentores de títulos de dívida, do bilionário egípcio NaguibSawiris e de agências de crédito à exportação que inclui investimentos de cerca de R$ 40 bilhões (US$ 12 bilhões ) em 6 anos, disse uma pessoa com conhecimento direto do assunto ouvida pela Bloomberg.

Os credores representados pela Moelis e pelo bilionário Sawiris propõem injetar US$ 1,2 bilhão em capital na companhia. As agências de crédito à exportação também vão ajudar a financiar investimentos, disse a pessoa, que pediu anonimato porque os planos ainda não são públicos. Parte dos R$ 40 bilhões também virão do fluxo de caixa da Oi, de cerca de R$ 6,5 bilhões por ano, segundo a fonte. 

 A ideia é investir em tecnologia e infraestrutura para dados, com foco em telefonia móvel, TV paga, banda larga e melhores serviços aos clientes. A Oi tem dívidas totais de cerca de US$ 19 bilhões e, para tornar sua operação viável, ideia é converter cerca de R$ 25 bilhões dos títulos de dívida externa em ações. 

Cielo (CIEL3, R$ 24,49, -5,92%)
As ações da Cielo teve um dia de reveses na Bolsa. A queda se acentuou no final do pregão, em meio ao anúncio do governo, em que a empresa foi a “primeira vítima”. O governo anunciou a redução das taxas de juros do cartão de crédito cobrada do consumidor e do prazo de pagamento ao lojista, o que deve impactar os lucros da companhia. 

Mais cedo, a ação repercutiu a aprovação dSenado da mudança do ISS que estabelece um valor mínimo de 2%, além de que as transações de crédito e débito deverão ser cobradas de acordo com a alíquota do município em que a transação acontece (ao invés de ser no município em que o emissor de cartão ou a adquirente ficam baseados). Uma vez que o presidente assine a lei, ela será efetiva 13 meses depois, dando tempo para as empresas ajustarem seus sistemas com a nova regulação, notícia esta que foi comentada pelo Credit Suisse.

O Credit aponta que a Cielo, que fica baseada em Barueri, tem uma alíquota de ISS de 1,5%. A cada ponto percentual de aumento do ISS, o lucro líquido da empresa seria reduzido em R$ 46 milhões, enquanto a gestão da empresa espera um impacto de R$ 30 milhões. “Em um cenário otimista em que a alíquota aumente em apenas 50 pontos-base para 2%, o impacto no lucro líquido seria de 0.6%. “No entanto, acreditamos que a medida deve incentivar que os municípios aumentem sua alíquota por causa dos problemas fiscais. Assim, assumindo um cenário pessimista em que os municípios aumentem o ISS para 5%, com impacto no lucro de 3,9%”. Os analistas acreditam ser razoável assumir que o ISS da Cielo aumento em 150 pontos-base para 3%, levando a uma redução no lucro liquido de 1,7%. 

BR Malls (BRML3, R$ 10,67, -2,82%)
As ações da BR Malls seguiram para o segundo dia seguido de queda. Em relatório desta manhã, o BTG Pactual citou que o portfólio da empresa continua sofrendo mais do que seus pares por conta de um cenário macroeconômico fraco, embora as ações pareçam mais atraentes do que seus concorrentes. Ontem, ocorreu uma reunião da empresa com analistas e investidores.

Segundo os analistas, a empresa reforçou no encontro foco na eficiência e que tem tomado medidas para combater a perspectiva desafiadora para as vendas no varejo, enquanto também se concentra na redução da alavancagem.  

Iguatemi (IGTA3, R$ 26,25, -1,32%)
As ações da Iguatemi também registraram perdas, chegando à baixa de 4,5%, em meio ao corte de preço-alvo do Santander de R$ 36 para R$ 32,20, com recomendação de manutenção. O banco cita falta de visibilidade sobre potenciais gatilhos que possam levar ações a melhor desempenho a curto prazo.

Bombril (BOBR4, R$ 2,02, +1,00%)
A Bombril firmou contrato para cessão à SC Johnson & Son de um portfólio de marcas e outros ativos ligados à linha de produtos Lysoform por 47,59 milhões de reais, informou a empresa em fato relevante divulgado na noite de quarta-feira. A operação faz parte dos esforços de reestruturação da empresa, que envolve a alienação de ativos não estratégicos e também negociações com credores e investidores, de acordo com o documento.

O negócio ainda está sujeito à aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ainda segundo a Bombril, os recursos obtidos com a cessão de marcas serão usados para melhorar a estrutura de capital da empresa.

Créditos: Folha

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