Armas, dinheiro e poder

O pomposo milionário caminhava altivo com sua maleta de dinheiro por uma calçada aparentemente vazia e, já perto de casa, escutou a voz do marginal a anunciar o assalto. Quase paralisado de pânico, só conseguiu levantar instintivamente os braços e perceber, pelo canto dos olhos, a arma apontada pelo maltrapilho meliante.  Após uma fração de segundo de reflexão, o milionário optou em soltar lentamente a maleta e deixar o assaltante concretizar seu intento criminoso.

Analisando as circunstâncias da história fictícia acima narrada, responda o seguinte questionamento: qual dos dois personagens detinha maior poder no momento do assalto, o milionário ou o criminoso armado?  Bem, se considerarmos que a vida é o maior patrimônio que existe, certamente o marginal representa a figura mais poderosa. Afinal, na situação descrita, estava em suas mãos a decisão entre a vida e a morte do milionário. Se quisesse, poderia tê-lo matado mesmo em posse de seus pertences.

Em uma sociedade como a nossa, sem os valores culturais elevados necessários para uma vida satisfatoriamente civilizada, a relação é mesma: são os donos das armas quem ditam as regras e não os somente endinheirados. É lógico que os ricos que tenham interesse de poder e que contem com um mínimo de inteligência irão adquirir armas o mais rápido possível. Porém, ninguém se torna poderoso de fato tendo apenas dinheiro.

Bem, com essa explicação ilustrativa fica mais fácil compreender três movimentos políticos convergentes que representam grande perigo para o Brasil atual.

Primeiro
A pauta a governista que tenta desarmar a população. Usam a justificativa de que a medida traria redução da violência, quando, na verdade, apenas eliminará o direito das pessoas de bem de se defenderem contra os bandidos e aumentará o poder de quem mais rouba e mata, que são os criminosos viciados em drogas. Outra consequência é o aumento da dependência ao Estado.

Segundo
A desmoralização das polícias estaduais. Já percebeu que, quando um policial militar mata um inocente, ele é crucificado nas manchetes de jornais e, quando o policial é que é morto, a notícia fica escondida nos rodapés? Nem uniformizar as crianças se pode mais fazer sem gerar estardalhaços midiáticos. Para completar, sempre aparece um deputado defendendo o fim da PM.

Terceiro
A proposta de federalização da polícia. Significa dar ao governo federal o controle de toda a força policial do país. Uma proposta que constou ostensivamente na última campanha de Dilma Rousseff (PT), em 2014. Em entrevistas, a presidente já disse, inclusive, que é a favor de se mexer na constituição brasileira para dotar o seu governo desta prerrogativa.

O que isto significa?

Na prática, o que significam esses três movimentos sintetizados: cidadãos desarmados, o fim das polícias estaduais e a instituição de uma única corporação sob o comando do governo federal? Monopólio da força! Um único governo com o poder de decidir entre a vida e a morte de qualquer pessoa. Um governo, diga-se de passagem, que é, no caso do Brasil, socialista, amigo de ditaduras e inspirado em ideologias que já mataram milhões de pessoas. Você consente em dar todo esse poder a esse tipo de governo?

Como a paz é um ideal supremo das pessoas de bem, defender o porte de armas costuma suscitar um sentimento automático de rejeição. Isso acontece porque, quem tem um mínimo de sanidade, certamente preferiria viver em um mundo justo e fraterno onde as armas sequer fossem necessárias. Porém, como não vivemos em um mundo ideal – visto que a mentira, a ganância e o crime são quase a regra e não a exceção do jogo – a autodefesa não é um luxo a ser destinado apenas aos donos do dinheiro. É uma obrigação vital.

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