Apresentação: A coluna política

Um ex-colega de faculdade é o filho do meio entre sete irmãos. De classe média baixa, ele contava que, na infância, os pais dificilmente podiam satisfazer os desejos de consumo de todos. Por isso, ele desenvolveu uma estratégia para conquistar seus objetivos: quando alguma guloseima lhe interessava, ao invés de pedir diretamente aos progenitores, antes verificava se algum dos irmãos também estava interessado no mesmo produto. Sempre que a vontade batia com pelo menos um, ele ia todo confiante fazer o pedido aos pais, pois, inconscientemente ou não, sabia que, tinha mais chances de obter o que queria.

O caso desse colega exemplifica, de forma simples, a ação do espírito da política em sua essência: a capacidade de se articular com os semelhantes para se atingir objetivos comuns. Objetivos (saúde, cultura, educação, por exemplo) são os fins e a articulação, ou seja, as melhores formas para se alcançar o objetivo, são os meios.

O poder instituído surgiu para ser o ápice de um sistema organizacional que visa cumprir os anseios da maioria. Porém, com a infeliz queda dos altos valores civilizacionais, a Política enquanto articulação pelo “bem comum” permaneceu, em geral, apenas no discurso. Na prática, salvas raras e valiosas exceções, os “políticos” se comportam como representantes de si próprios e, não raro, se valem de expedientes sórdidos para maquiar seus atos.

Esse tipo de conduta equivocada, que distorce o verdadeiro sentido da Política, só é possível quando o povo não tem cultura suficiente para perceber os desvios e denunciá-los, de preferência, em seus estágios iniciais. Este é o cenário ideal para que esquemas organizados cheguem ao poder e corrompam o sistema em nome do “bem comum”. É o que ocorre em nossos dias.

De forma geral, o propósito desta coluna é denunciar esse tipo de situação, mostrar os erros e promover os princípios básicos necessários para que a Política volte a seu estado mais nobre. Afinal, o nível cultural de um povo é diretamente proporcional à qualidade de seus políticos e toda cultura que se diga “nobre” deve estar embasada em princípios derivados da Verdade.

Logicamente, os fatos da política institucional serão abordados com freqüência, mas sempre amparados com um enfoque reflexivo. Será nossa contribuição para reconduzir nosso país aos trilhos da decência e da verdade.

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