Após reação com Trump, câmbio parece ter voltado à normalidade, diz BC

SÃO PAULO  –  Há um realinhamento “muito importante” de preços de ativos refletindo o redirecionamento das políticas macroeconômicas, disse nesta quarta-feira o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Viana, para quem esse processo deve se manter.

Em palestra durante seminário em São Paulo, Viana lembrou que as altas das taxas de juros de mercado nos Estados Unidos tiveram reflexos nos preços locais, com o câmbio mostrando uma reação “abrupta” ao resultado da eleição presidencial americana, vencida pelo republicano Donald Trump.

“Mas, na margem, o mercado de câmbio parece ter voltado a funcionar de maneira normal”, disse, acrescentando que esse reequilíbrio da dinâmica do mercado justificou atuação apenas “pontual” do BC no câmbio.

Viana disse que o principal motivo para as fortes movimentos dos preços dos ativos é a possibilidade de mudança na política monetária americana. Nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) anuncia sua decisão de juros. O mercado embute quase 100% de probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual no juro básico dos EUA, para uma faixa entre 0,50% e 0,75% ao ano.

Sobre as reservas internacionais, o representante do BC observou que devem ser vistas como um “seguro” e, no período que o país atravessa, esse seguro tem “muito valor”. “Quando você faz a conta, a reserva não custou tanto para ser carregada”, afirmou.

Para ele, apenas quando houver a percepção de que a política fiscal está “equacionada” é que se poderá discutir o montante ótimo de reservas internacionais, “porque, nesse caso, você terá lastro para isso”.

O diretor do BC disse que a avaliação da autoridade monetária sobre as reservas internacionais se limita a questões “atemporais” e que há dificuldade para se determinar o nível ideal de reservas no âmbito de vários países emergentes. “Talvez com a economia mais estável e com reformas possamos discutir essa questão de forma não atemporal”, afirmou.

Viana disse ainda que a confiança do mercado nos contratos de swap cambial, por exemplo, se dá pelo nível de reservas, mas que, “no fim, o lastro mais importante” vem da política fiscal. “Desde que você tenha uma situação fiscal sólida, não deveria haver dúvida sobre a eficácia desse instrumento”, observou.

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