Acabou o carnaval, começou novo ano

A Quarta-Feira de Cinzas sempre marca o início do Ano Novo no Brasil, principalmente na economia. Os meses (ou mês) antecedentes ao Carnaval sempre são os meses de ajuste, de acerto de contas do ano anterior, o período que serve para correr atrás de impostos como IPVA, IPTU e de compras escolares.

A partir da Quarta-Feira de Cinzas, o Brasil acorda para um novo tempo.

Evidentemente não houve grandes alterações no cenário econômico que antevíamos para o Brasil no longínquo ano de 2015. A inflação de janeiro não deu mostras de queda. Pelo contrário, o preço de certos alimentos prevê que vamos ter um índice acima do esperado.

Enquanto isso, 2016 já começou com novos aumentos de impostos, embutidos em determinados produtos, criando a sensação de que a expectativa pela aprovação ou não de uma famigerada CPMF seja apenas o “boi de piranha”, atraindo a atenção da população enquanto, na surdina, aumentos são criados em produtos essenciais ou não, com os preços repassados ao consumidor que, desacostumado de atentar-se às notícias econômicas, pensa apenas que é apenas mais um aumento.

A verdade sobre os valores só irá aparecer nos índices de inflação de janeiro, lá pelos meados de fevereiro e, como já estamos em fevereiro, também o veremos nos meados de março.

Economia com horizonte estável em 2017

De uma maneira geral, os analistas financeiros preveem que os desdobramentos negativos da crise ocorrida em 2015, com uma pequena superação dos efeitos colaterais de um ajuste fiscal que ainda está em andamento, não mostram que a economia possa ter um horizonte estável antes do final de 2016.

Contudo, o final de 2016 servirá apenas como parâmetro para o deslocamento de uma curva descendente, como a que estamos vivenciando, para uma estabilização e uma curva crescente, mas seus efeitos não estarão assim tão visíveis antes que 2017 entre em cena.

A curva ascendente poderá ter esse início entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, mas ainda vai trazer as consequências dos anos de vacas magras criadas por uma direção errada da economia nos dois últimos anos, e não vamos ver, certamente, uma retomada do crescimento com a confiança necessária para a retomada do avanço econômico de nosso país.

Enquanto criamos esse cenário otimista – felizmente ainda carregamos a esperança – o Banco Credit Suisse, em análise divulgada no início de fevereiro não tem uma visão ufanista com relação à economia brasileira.

Segundo a instituição, a expectativa de contração do PIB não vai se limitar a 2017. As previsões do Credit Suisse indicam que teremos uma queda no PIB de 4% em 2016, uma perspectiva que avança até 2017, quando é previsto um recuo de 0,5% a 1% do PIB.

De acordo com essa previsão, o Brasil ainda está no meio do período de recessão, que deverá ter a duração de pelo menos 3 anos. Trata-se, evidentemente, de um quadro pessimista, uma situação que não acontece no país desde o início do século XX.

A última vez em que o PIB encolheu dois anos seguidos foi em 1930 e 1931, resultado da Grande Depressão, com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Nunca houve 3 anos seguidos de recessão, principalmente numa fase em que praticamente todas as economias do mundo inteiro estão em crescimento.

Isso nos leva à constatação de que temos uma crise econômica e financeira financiada por uma crise política que deve ser resolvida o quanto antes. Todos os indicativos apontam para uma reforma urgente no âmbito da política para gerar mais confiança entre investidores e empresários, buscando, pelo menos, minimizar os efeitos da economia praticada ao contrário nos últimos governos.

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