A Tríade do Mal: O Diabo, A Bebida e…

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Um olhar despreocupado sobre os agrupamentos humanos

O Teclado! Por mais improvável que possa parecer o seu teclado (notebook, tablet ou smartphone) faz parte deste terrível trio, pois tudo que há de ruim no mundo um dos três, em suas várias formas de manifestação, levam os pobres seres mortais a cometerem os maiores desatinos.

Quem nunca viu alguma atuação, principalmente dos dois primeiros, acontecerem a qualquer hora do dia (ou da noite)? No início dos males, o pioneiro era o Diabo, com ou sem chifres, belo ou horrendo, era ele quem influenciava tudo e todos.

As pessoas xingavam, batiam umas nas outras, e até matavam e por qual motivo? Culpa do Diabo, pois ele as enfraquecia (provavelmente sem muito esforço) e tomadas pela paixão (ou passion fica mais bonito?) ensandecidas e “ensanguecidas” buscavam por mais sangue.

Lembro que, na minha adolescência ouvi a mãe de uma amiga dizer que em seu quintal havia um pedaço de madeira jogado ao chão e nele tinha um prego enferrujado. Ela disse a minha mãe que o Diabo havia virado o prego para cima para que o marido pisasse e assim se machucasse.

Claro que esta é a história mais simples, mas quantas outras mais chocantes não envolvem a participação indireta do temível Diabo? Ainda que ele goste de agir discretamente assim como um quase anônimo a fama que correu solta pelos quatro cantos do mundo lhe fez bem.

Tanto que “diabolicamente” resolveu contar com uma força a mais e daí nasceu a célebre frase “a união faz a força” e criou uma sociedade com a Bebida. Esta tinha a facilidade de se disfarçar tanto quanto mais o Diabo em diversas garrafas e doses e através do método “quando a bebida entra a verdade sai” os progressos foram alavancados.

Diversos amigos, casais e familiares falaram o que quiseram e ouviram o que não quiseram. De toda forma, a alegria foi passageira e na hora de realizar o balanço de todo o “disse-não-me-disse” e as várias formas de confusão eis que surge o mandante do crime: a Bebida.

A maldita ou vulgarmente conhecida como “marvada” agiu sem princípios e usou de toda a sua fluidez para alcançar os seus objetivos. “Culpa da bebida” era o brado de todos os envolvidos, principalmente, aqueles que deram o pontapé (ou golada fatal).

Depois de tanto tempo, séculos talvez, a dupla Diabo-Bebida começou a sentir tédio. A graça havia acabado, pois era sempre tão previsível… E eles, constantemente, assistiam a tudo e faziam apostas onde o Diabo dizia “ah, Bebida, agora vão te culpar por essa burrice” e a Bebida respondia “Será Diabo que ganharei mais uma vez?” e ficavam nessa gangorra de palpites até cair também na “chatice”.

Do tédio ao inédito

Quando tudo parecia ter chegado ao fim o improvável aconteceu. A Internet que beneficia a todos é tão justa e (demo)crática que trouxe um novo gás para os sócios de sucesso. Com sua agilidade e precisão criou uma nova linguagem – tão dinâmica como o pensamento. E sabe-se lá qual foi à estratégia de marketing adotada que, quando menos se imaginava, foi disseminada com facilidade e rapidez.

Logo, essa linguagem “tribal” que uma parte ainda procura aprender, começou a demonstrar a sua ambição de conquistar e dominar todos. Suas proezas desencadearam fortes e contraditórias emoções: eram frases escritas sem pé nem cabeça, a ortografia e a gramática foram assassinadas – esta última teve o fim mais triste e brutal (descanse em paz).

As más e constantes faltas de interpretação de texto foram o pano de fundo para discussões longas e apaixonadas (passion de novo?). E-mail, blogs e redes sociais precisaram oferecer maior capacidade de memória, pois eram “mensagens para lá” e “mensagens para cá” e o pior: quanto mais mandavam, menos compreensível ficava.

No fim, descobriu-se o grande culpado: o Teclado. Sim, ele é dotado de grande talento por conseguir ludibriar o cérebro e comandar o que deve ou não ser escrito. Alguns mais ortodoxos apontaram o Corretor Ortográfico, mas mal sabiam que tudo não se passava de um único e genial comandante: o Teclado.

Quando o Diabo e a Bebida perceberam o talento precoce que o Teclado apresentava resolveram chama-lo para integrar a dupla que passaria a se tornar um trio – onde todas as culpas e responsabilidades humanas não eram das pessoas (coitadas), mas sim deles.

Deste modo, a humanidade estava salva de qualquer perigo e seriam pobres e inocentes crianças grandes que “ainda não sabem o que fazem”. Imagine então se soubessem…

Gau Figueirêdo
Bacharel em Filosofia, Microempresária e Redatora. Contribuo, aqui, no "Jornais Virtuais" todos os domingos nas colunas: Empreendedorismo e Sociedades Meu blog "http://reflexosmentais.wordpress.com/"
Gau Figueirêdo

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Bacharel em Filosofia, Microempresária e Redatora. Contribuo, aqui, no "Jornais Virtuais" todos os domingos nas colunas: Empreendedorismo e Sociedades Meu blog "http://reflexosmentais.wordpress.com/"

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