A temporada de “más notícias” não acabou: imposto mais caro poderá “comer” R$ 75 milhões do lucro da Cielo

SÃO PAULO – Se a tempestade de notícias negativas nas últimas semanas não foi suficiente, a Cielo (CIEL3) terá que lidar com mais uma pedra em seu caminho: a reforma do ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza). Isso porque ontem o Senado aprovou um projeto de lei que fixa em 2% a alíquota mínima do imposto, na tentativa de acabar com a guerra fiscal entre os municípios, e amplia a lista de serviços alcançados pela tributação. 

Segundo o BTG Pactual, a Cielo paga atualmente 1,5% de ISS em Barueri, mas com o aumento pode passar a pagar entre 2% e 5%, dependendo do município para o qual a empresa vai pagar o imposto, já que a partir de agora os dispositivos e máquinas serão registrados no local onde os clientes estiverem. Além disso, existe também o impacto operacional, dado que a empresa terá que adaptar seus sistemas para esse novo modelo em um prazo de 13 meses a partir de a data da sanção presidencial da medida. Ou seja, o impacto só acontecerá a partir de 2018. 

Pelos cálculos da empresa, o impacto no lucro líquido será de R$ 30 milhões a R$ 35 milhões para cada um ponto percentual elevado no imposto. Assumindo que o ISS vá para 3,5% (um ponto médio entre os 2% e 5%), o impacto será de R$ 75 milhões no lucro líquido da empresa, ou cerca de 2% o estimado para 2016, comentaram os analistas do BTG Pactual. No entanto, os analistas do Credit Suisse projetam uma ferida um pouco maior para cada ponto percentual aumentado: de R$ 46 milhões. No entanto, o cenário-base do banco trabalha com um aumento um pouco menor de 1,5 p.p., para 3%, o que levaria uma redução no lucro líquido de 1,7% (ou 1,1% conforme a indicação da empresa). 

No cenário mais otimista, o Credit trabalha com um aumento de 0,5 p.p. para o ISS, o que afetaria o lucro líquido em 0,6%; enquanto, no mais pessimista, a alíquota passaria 5%, com impacto no lucro líquido de 3,9%. 

Essa, no entanto, não é a primeira notícia negativa para a empresa nos últimos dias, que têm sofrido bem na Bolsa: depois de cair por cinco pregões seguidos, a ação fechou ontem no seu menor patamar desde fevereiro de 2016. A queda neste mês é de 12%. Apesar do movimento, o mercado segue cauteloso com a ação, dado o alto ruído regulatório e possível mudança no ciclo de transações de pagamentos em cartões de crédito, que pode impactar em 11% o lucro da empresa no pior cenário, segundo estimativas do Bradesco.

Mas não é só a Cielo que sofre com isso…
Segundo os analistas do BTG Pactual, as empresas do setor de seguros também serão afetadas pela mudança. No setor, a Odontoprev (ODPV, R$ 11,20, -0,53%) será a mais impactada, comentaram. A empresa, que está localizada em Barueri, paga atualmente cerca de 1% de alíquota de ISS, mas, se convergirem para a alíquota de cada zona de operação, a média poderia aumentar em 2 p.p., estimam. 

Já para o caso da Qualicorp (QUAL3, R$ 17,60, +3,47%), eles veem um impacto limitado, no que diz respeito aos serviços administrativos que ficam em Barueri (que já pagam quase 2% de ISS). O impacto maior, neste caso, seria na corretora (que representa 40% da receita bruta da empresa) que opera em São Paulo.

Em relação à Sul América (SULA11, R$ 18,00, +2,51%), o banco comenta que o impacto é pouco representativo, enquanto a Fleury (FLRY3, R$ 36,98, -0,03%) não tem nenhum benefício de ISS nas cidade que opera. 

Cielo - Bloomberg

Créditos: Infomoney

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