A pobreza, o destino e o poder

Ainda que nunca tenha passado fome, conheço a pobreza de perto: na infância, convivi com a situação de colegas e parentes e, na fase adulta, como jornalista profissional, pude cobrir algumas situações drásticas. Hoje, vivemos em um tempo em que o combate à pobreza vem sendo o fator determinante para a definição dos representantes políticos brasileiros. Esta situação contribuiu para o surgimento de algumas políticas favoráveis superficialmente, mas também acabou mistificando a figura do pobre.

Por mais que pareça óbvio, minha experiência direta em relação ao tema, me leva à seguinte conclusão: não existem pobres iguais. Por exemplo: tem pobre trabalhador, tem pobre vagabundo; tem pobre estudioso, tem pobre ignorante; tem pobre desonesto, tem pobre honesto.

Longe de mim querer julgar as razões pelas quais as condutas das pessoas de baixa renda se dão desta ou daquela forma. Porém, é um erro considerar que seja adequado tratar seres humanos como uma massa homogênea só pelo fato de se encontrarem momentaneamente na mesma faixa de renda. Para quem é honesto, estudioso e trabalhador , a pobreza é muito mais um desafio do que uma sina fatal.

É evidente que, quando a família não tiver recursos suficientes para prover os insumos mais básicos da sobrevivência, como comida, educação e saneamento básico, é a sociedade quem deve proporcioná-los. No entanto, quando essas questões fundamentais estiverem supridas, o desenvolvimento pessoal, profissional e financeiro passa a ser muito mais uma responsabilidade do indivíduo do que de qualquer outra entidade.

Por mais poderosa que seja, entidade nenhuma instituição tem o poder de transferir força de vontade e determinação a quem pouca faz para se superar . Salvos casos em que predominem limitações físicas e mentais, e quaisquer outros fatores incapacitantes, é o indivíduo que faz uso de seu livre-arbítrio para estudar, trabalhar ou procrastinar. Na maioria das vezes, a escolha entre as duas primeiras opções e a terceira que possibilita a pobres se tornem ricos ou ricos se tornem pobres.

Silvio Santos, Machado de Assis e Olavo de Carvalho, entre tantos outros, são exemplos de brasileiros que não se ‘vitimizaram’ perante as circunstâncias precárias em que nasceram e, com muito trabalho, conseguiram vencer na vida em épocas em que havia muito menos assistencialismo do que hoje. Biologicamente, o que esses três exemplos têm de diferente dos demais membros da ‘espécie’?

Enquanto os pobres forem tratados como coitadinhos incapazes de se responsabilizarem pelo próprio destino, continuarão aparecendo governos que assumem essa “nobre” missão. É isto que vem ocorrendo, sobretudo, na última década no Brasil, com organizações que se apoiam em ações paliativas contra a miséria para promoverem projetos obscuros de poder. E como, nesse caso, é a pobreza que funciona como passaporte para o domínio dessa gente, logicamente, ela pode até oscilar, mas nunca desaparecer.

%d blogueiros gostam disto: