A honestidade autoproclamada de Lula e seu contexto

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Na faculdade de jornalismo, tive um talentoso e apaixonado professor chamado Edilson Moura. Em suas aulas de redação, o ex-repórter e ex-editor sempre ressaltava que o contexto em que ocorre uma declaração a ser reproduzida é determinante para o enfoque que será dado à mesma na notícia. Por exemplo, se hipoteticamente, uma autoridade afirmasse “que chuva maravilhosa!”, a declaração teria um destaque positivo na matéria no contexto do fim de uma grande estiagem, porém, assumiria uma conotação sarcástica no contexto de um trágico alagamento.

Pois bem… Na semana passada, foi impossível não me lembrar das aulas do Moura diante de uma declaração um tanto ousada divulgada pelo noticiário político. A afirmação foi a seguinte: “Não tem uma viva alma mais honesta do que eu”. A frase certamente soaria com naturalidade no contexto de uma Madre Tereza de Calcutá, de um Francisco de Assis, ou mesmo de um Chico Xavier. Mas, talvez pela humildade inerente às nobres almas, desconheço registros de que algo similar tenha sido dito por qualquer uma dessas três personalidades.

Na verdade, a declaração pertence a um político bastante conhecido dos brasileiros: Luiz Inácio “Lula” da Silva, durante entrevista a alguns blogueiros em 20 de janeiro. Isso mesmo, Lula, o fundador do Foro de São Paulo, entidade internacional que viola constituições ao implantar, às escuras, o socialismo na América Latina. Lula, que assumiu em vídeo que, antes de chegar ao poder, corria o mundo mentindo sobre o número de crianças de rua e de abortos existentes no Brasil. Lula, que, em campanha, negou em rede nacional, ao jornalista Boris Casoy, a existência de um eixo formado por ele, Fidel Castro e Hugo Chaves…

Para as pessoas minimamente informadas e de bom senso, a afirmação vinda do contexto deste baluarte da sacrossantidade soou como jocosa, patética e doentia. Para o autor da mesma, só mais uma entre tantas mentiras brotadas de sua mente perigosa e psicopática. Estranhamente, pouquíssimos jornalistas fizeram essa leitura contextual… Talvez eles devessem ter freqüentado algumas aulas do Moura…

Mas a questão principal é: o que estaria por trás de uma afirmação tão inverossímil, no momento em que, pela primeira vez, as suspeitas de corrupção envolvendo Lula começam a ganhar formalidade?

Há quem diga que a autoproclamada idoneidade decorre do desespero agonizante de uma figura que, diante da própria decadência inevitável, dá os primeiros sinais da insanidade mental que precede a total irrelevância. É uma visão válida e fundamentada. Porém, não é bom subestimar alguém como Lula: sujeito que, graças à esperteza (e não à inteligência, que depende de preceitos morais), conseguiu sair da miséria para alcançar o maior cargo governamental do país. Neste sentido, a declaração pode integrar mais uma estratégia lulista para inflamar os militantes histéricos e outros despolitizados a se manifestarem a seu favor no caso de uma eventual prisão, cada vez mais palpável.

Mas, pensando melhor, talvez este não seja o melhor contexto para Moura usar tal exemplo em sala de aula. Os acervos das faculdades raramente escapam ao monopólio ideológico esquerdista, forjando mentes com horizontes restritos a essa subcultura e, portanto, intolerantes ao contraditório, que é fundamental para o debate saudável. Os estudantes, com raras e nobres exceções, estão se tornando pobres almas desorientadas no contexto da verdade…

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